4 dicas para resolver conflitos em compras sem precisar ir à Justiça



Em 1990, o Brasil deu um passo importante para tornar as relações de consumo mais justas. Entrava em vigor o Código de Defesa do Consumidor (CDC), instituído pela Lei nº 8.078/1990, que surgiu para estabelecer normas que protegem os direitos dos consumidores e promovem a transparência nas relações de consumo. Antes, os contratos eram predominantemente redigidos pelas empresas, deixando o consumidor em uma posição de vulnerabilidade. Trinta e cinco anos depois, o CDC permanece como uma das leis mais conhecidas e aplicadas do país.

Segundo dados do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), as demandas relacionadas a relações de consumo estão entre as mais frequentes no Judiciário brasileiro, envolvendo desde planos de saúde até serviços de telefonia e comércio eletrônico.

Para Camila Nunes, professora de Direito da Uniritter, o CDC foi uma revolução para os consumidores. “A lei trouxe justiça para uma relação contratual que antes ficava muito mais nas mãos das empresas, relativizou a vontade declarada nos contratos e protegeu o consumidor contra abusos”, explica.

Avanços conquistados

Antes do código, o que estivesse escrito em contrato tinha validade absoluta, independentemente do impacto sobre o consumidor. Isso permitia a prática de cláusulas abusivas, que se tornavam obrigatórias mesmo quando prejudiciais.

Com a entrada em vigor da legislação específica, a realidade mudou. Empresas passaram a ter deveres claros como fornecer informações transparentes, evitar cláusulas abusivas e garantir qualidade mínima nos serviços. “O CDC transformou completamente essa relação. Hoje, todos sabem que existe uma lei protetiva que resguarda o consumidor. Foi um avanço que se consolidou ao longo dessas três décadas e meia”, observa Camila Nunes.

Direitos ainda negligenciados

Apesar do fortalecimento do CDC, ainda persistem práticas que desafiam sua efetividade. Entre elas, os contratos bancários, de planos de saúde e de telefonia estão entre os que mais geram conflitos. “Ainda vemos déficit de informação clara e cláusulas abusivas nesses contratos. Muitos consumidores só conseguem ver seus direitos reconhecidos após intervenção do Judiciário. Além disso, a baixa qualidade de alguns serviços prestados lota o sistema com demandas indenizatórias”, analisa a professora.

Em 2021, foram registradas cerca de 3,3 milhões de queixas de produtos e serviços no país pelas plataformas Consumidor.gov.br e Sindec (Sistema Nacional de Informações de Defesa do Consumidor). A taxa de solução das reclamações foi de 79,3% para bancos e financeiras e de 89,3% para operadoras de telecomunicações.

Alguns cuidados no momento da compra ajudam garantir direitos e evitar prejuízos futuros (Imagem: Nattakorn_Maneerat | Shutterstock)

Cuidados na hora da compra

Além da atenção nas compras online, a docente reforça cuidados básicos em qualquer aquisição. É importante testar o produto, conferir se está funcionando corretamente e exigir a nota fiscal detalhada, que garante direitos como troca e garantia.

Outro ponto para se atentar é registrar formalmente qualquer problema por e-mails, prints de tela ou protocolos de atendimento que podem servir como provas caso seja necessário recorrer ao Procon (Programa de Proteção e Defesa do Consumidor), às agências reguladoras ou à Justiça. “Não adianta apenas ligar. Ter provas documentais é fundamental para garantir seus direitos e evitar prejuízos futuros”, explica Camila Nunes.

Ela ainda lembra que detalhes simples fazem diferença, como conferir prazos de validade, instruções em português e condições de garantia. Esses cuidados ajudam a evitar transtornos e facilitam a resolução de problemas de forma rápida e segura.

Resolução de conflitos sem acionamento da Justiça

Se você foi lesado em uma compra ou serviço, confira quatro dicas de como tentar resolver o problema sem precisar ir à Justiça.

1. Tente um contato direto com a empresa

Entre em contato com a empresa e envie sua reclamação por e-mail, WhatsApp ou formulário online.

2. Procure o Procon

O órgão atua diretamente junto às empresas e pode mediar a solução de conflitos de consumo.

3. Use plataformas de mediação online

Sites como o Reclame Aqui podem ajudar a resolver problemas de forma rápida.

4. Acione a agência reguladora quando houver

Elas existem para mediar conflitos e garantir que os direitos do consumidor sejam respeitados.

Por Carol Passos





Fonte: Portal EdiCase

Redação EdiCase

Recent Posts

Carro elétrico da BYD atinge muro de condomínio e deixa ferido em Anápolis

Carro elétrico da BYD colide contra muro em condomínio de luxo em Anápolis e deixa…

5 minutos ago

Impactos da PEC da Segurança aprovada no Senado para as guardas municipais

Saiba como a PEC da Segurança aprovada no Senado impacta as guardas municipais e o…

1 hora ago

CPE recupera motocicleta furtada em Goianésia e encaminha suspeito à delegacia

CPE recupera motocicleta furtada em Goianésia e encaminha suspeito à delegacia: Uma motocicleta Honda CG…

2 horas ago

Anápolis registra duas chamadas policiais na mesma noite por barulho em condomínio

Moradores chamam a polícia duas vezes na mesma noite em condomínio de Anápolis devido a…

2 horas ago

DEAM Goianésia prende homem investigado por abuso sexual contra a cunhada e a própria filha

DEAM Goianésia prende homem investigado por abuso sexual contra a cunhada e a própria filha:…

2 horas ago

Comissão Especial enterra pedido de impeachment contra Ricardo Nunes na Câmara de São Paulo

Câmara de São Paulo arquiva pedido de impeachment contra Ricardo Nunes após votação na comissão…

2 horas ago

This website uses cookies.