Preço do limão dispara no mercado brasileiro devido a quebra de safra

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O consumidor brasileiro tem enfrentado um cenário de alta expressiva no valor do limão nas prateleiras. Mesmo durante o período de entressafra, a cotação da fruta superou as médias históricas, impulsionada por uma redução drástica na oferta disponível e por condições climáticas adversas que comprometeram a produtividade nas principais regiões cultivadoras do país.

Impacto da instabilidade climática na produção nacional

A volatilidade nos preços do limão é uma característica recorrente, mas o cenário atual apresenta contornos de escassez acentuada. Segundo o pesquisador Renato Garcia Ribeiro, do Cepea/Esalq, a florada ocorrida no início do ano foi severamente prejudicada por um regime de chuvas acima da média, que desestabilizou o desenvolvimento dos pomares.

O excesso de umidade e a elevada incidência de dias nublados não apenas reduziram o volume colhido, mas também afetaram a qualidade comercializável dos frutos. Esse desequilíbrio climático dificultou o manejo da colheita e resultou em uma oferta insuficiente para atender à demanda interna, que se manteve aquecida pelo calor registrado nos meses de agosto e setembro.

Dados da Conab revelam escalada nos valores

Levantamentos da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) demonstram a magnitude da valorização no cinturão cítrico paulista, responsável por 80% da produção nacional. O preço pago ao produtor pela caixa de 27,2 kg de limão tahiti saltou de R$ 32,10 em junho para R$ 104,78 em agosto, um aumento acumulado de 226,4% no período.

A pressão sobre os preços também foi sentida nos grandes entrepostos de distribuição. No Ceagesp, em São Paulo, o valor do quilo subiu 374% entre o início da entressafra e o pico de setembro. Em Minas Gerais, na CeasaMinas, a variação atingiu 240%, refletindo a dificuldade de abastecimento em escala nacional.

Competição de mercado e perspectivas para o final do ano

Além da queda na produção interna, o mercado enfrenta a pressão da exportação, que absorve cerca de 11% da safra, com foco principal no mercado europeu. A combinação entre a menor disponibilidade de frutos e a concorrência entre o consumo doméstico e o externo elevou a cotação da fruta a patamares recordes.

A expectativa de normalização dos preços está atrelada à entrada da nova safra, prevista para meados de novembro. Embora tenha sido observada uma leve retração nos valores praticados no Ceagesp na última semana, especialistas alertam que a tendência de estabilidade ainda é incerta, dado que os impactos climáticos podem deixar reflexos na produtividade para o próximo ciclo produtivo.

Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br

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