O Hospital Municipal da Mulher e Maternidade Célia Câmara, localizado em Goiânia, tornou-se o centro de uma polêmica após a circulação de mensagens atribuídas a uma médica da unidade. A profissional teria orientado sua equipe a evitar a concessão de altas hospitalares a pacientes sob o pretexto de que a maioria seria composta por eleitores do Partido dos Trabalhadores (PT).
O caso ganhou repercussão após prints das conversas serem compartilhados em redes sociais. Nas mensagens, a médica, além de manifestar motivações políticas para a retenção de pacientes, fez referência ao número de urna do senador Flávio Bolsonaro, associando a conduta profissional a um posicionamento ideológico durante o período eleitoral.
Posicionamento oficial da unidade de saúde
Diante da gravidade das alegações, a direção do Hospital Municipal da Mulher e Maternidade Célia Câmara emitiu um comunicado oficial pedindo desculpas à população. A instituição repudiou veementemente qualquer forma de discriminação ou interferência de convicções políticas no atendimento médico prestado aos pacientes.
A administração do hospital informou que está conduzindo uma apuração interna rigorosa para identificar a veracidade das mensagens e a extensão da conduta da profissional. Medidas administrativas cabíveis estão sendo avaliadas pela gestão da unidade para garantir que o atendimento hospitalar permaneça pautado exclusivamente por critérios técnicos e éticos.
Ética médica e dever de atendimento
O Código de Ética Médica estabelece que o profissional deve exercer a medicina sem ser discriminado ou discriminar, garantindo o atendimento a todos os pacientes com igualdade e humanidade. A utilização de cargos públicos ou ambientes hospitalares para fins de proselitismo político ou retaliação ideológica é considerada uma infração grave aos deveres fundamentais da profissão.
O episódio em Goiânia reacende o debate sobre a neutralidade no ambiente de saúde pública. Especialistas reforçam que a relação médico-paciente deve ser preservada de influências externas, assegurando que o direito à saúde seja garantido sem distinções de qualquer natureza, conforme preconizado pelas normas do Conselho Federal de Medicina.



