Alice Ruiz é celebrada em mesa sobre poesia


A mesa 8 da Flip 2025, na manhã de sexta-feira, 1.º, não foi uma “mesa de poesia feminina”, como aquelas que, há poucas décadas, separavam as poetas da conversa principal. Mas foi uma mesa sobre poesia, e de poesia feita por mulheres. A conversa entre Alice Ruiz, Claudia Roquette-Pinto e Marília Garcia, mediada por Fernando Luna, falou sobre as convergências e divergências de três gerações de poetas e gerou diversos momentos aplaudidos pela plateia.

“É uma magia um espaço desse lotado de pessoas interessadas em poesia de mulheres às 10h da manhã de uma sexta”, celebrou Alice. Logo, foi questionada sobre a emoção de estar na Flip, a Festa Literária Internacional de Paraty, no ano em que o homenageado é o poeta Paulo Leminski, que foi seu companheiro e com quem teve três filhos. “Normalmente para a mulher se pergunta da emoção, mesmo quando é trabalho. Se eu não tivesse colocado a emoção de lado, não teria conseguido trabalhar”, disse Alice, que, mais tarde, voltou à questão: “Espero não ter sido indelicada. É porque isso é o inferno da minha geração”.

Alice definiu como uma felicidade grande ver o reconhecimento da obra de Leminski, pelo qual ela e as filhas Aurea Alice e Estrela tanto trabalharam. “Essa coisa de estar vivo é por momentos como esse.”

CONVERGÊNCIA. Alice, Claudia e Marília contaram como conheceram a poesia uma da outra. “Nunca vi uma Flip com tantas poetas. Isso a gente deve a essas pioneiras”, disse Claudia, falando da geração de Alice. “Os rapazes que me desculpem, mas em quantidade e qualidade acho que já estamos na frente”, completou Alice.

Um dos temas de convergência foi o erotismo, presente nas obras de Claudia e Alice. A veterana comentou que uma de suas grandes influências foi Clarice Lispector, mas também citou Gilka Machado, e disse que a presença do erotismo nas obras da poeta a impressionaram: “Mulher escrever sobre erotismo, para mim, é político”.

Marília comentou que acredita que a poesia vai sendo construída em conjunto, a partir de quem está produzindo naquele período, mas que agora vê uma pluralidade muito maior de vozes. Claudia lembrou que “escutou atrocidades” nos anos 1990, quando começou a publicar. “Mostrei um poema a um colega e ele me disse: você escreve igual a um homem.” Foi nesse momento que ela lembrou como eram comuns as “mesas de poesia feminina”. “É muito diferente disso aqui, agora.”

“Eu tinha quase um compromisso em não falar de sofrimento. Mas, se eu falasse, queria apresentar uma saída”, disse Alice, antes de ler um trecho de Milagrimas. Quando encerrou o último verso, “a cada mil lágrimas sai um milagre”, foi ovacionada de pé pela plateia.

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.



Por:Estadão Conteúdo

Estadão

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