A Câmara Americana de Comércio para o Brasil (Amcham Brasil) e outras quatro entidades divulgaram nota conjunta nesta segunda-feira, 20, para manifestar sua divergência quanto à alíquota de 10% sobre o envio de dividendos a partir do Brasil para empresas estrangeiras, introduzida no projeto de lei que amplia a faixa de isenção do Imposto de Renda de quem ganha até R$ 5 mil mensais (PL 1.087/2025). O texto foi aprovado há algumas semanas pela Câmara e agora está em análise no Senado Federal.
Também assinam a nota a Associação Brasileira das Companhias Abertas (Abrasca); a Associação Brasileira da Infraestrutura e Indústrias de Base (ABDIB); a Câmara Britânica de Comércio e Indústria no Brasil (Britcham); e o Grupo de Estudos Tributários Aplicados (GETAP).
“A correção da tabela progressiva para pessoas físicas com menor renda é medida importante e necessária para conferir justiça fiscal e contribuir para redução de desigualdades no país. Contudo, a compensação, tal como a justificativa do governo no envio do projeto ao Congresso, deve se restringir às pessoas físicas de alta renda e não onerar investimentos produtivos de empresas que já enfrentam carga elevada no País”, dizem as entidades.
O grupo sustenta que, ao exigir o cálculo de toda a carga pelas empresas para obtenção de créditos, o sistema tributário sobre a renda no Brasil se tornará mais complexo, na contramão das boas práticas internacionais de redução do IR corporativo.
“A introdução dessa taxação também inibe o ingresso de capitais estrangeiros em um momento de forte disputa internacional por investimentos, com potencial de trazer desequilíbrio nas contas externas e, consequentemente, obrigar o Banco Central a elevar ou manter elevada a taxa de juros”, completam, citando também efeitos negativos sobre a dívida pública em valores superiores à arrecadação prevista pela tributação de dividendos.
As entidades ainda afirmam que a medida ignora os impactos do aumento de carga tributária sobre investidores estrangeiros e trata de forma inadequada os mecanismos internacionais para evitar a bitributação, como o crédito do imposto estrangeiro e a isenção da renda externa.
Segundo elas, os 10% de IRRF não serão compensados nos países de origem das matrizes, o que resultará em bitributação e aumento de carga tributária. Além disso, o projeto deverá desalinhar “ainda mais” o Brasil das práticas da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), pois a maioria dos países isenta lucros distribuídos entre pessoas jurídicas ou adota créditos limitados, enquanto a carga tributária brasileira sobre lucros desses investimentos hoje já é superior ao padrão OCDE.
As entidades defendem que o projeto exclua as pessoas jurídicas estrangeiras de sua incidência, mantendo o foco em pessoas físicas de alta renda. Segundo elas, esse ajuste evitaria a bitributação e o aumento de carga tributária para investidores corporativos estrangeiros; a redução do ingresso de capitais; o desestímulo à geração de empregos; e o aumento da complexidade tributária.
“Se o objetivo é alinhar o Brasil às práticas da OCDE, recomenda-se adotar integralmente seus princípios, preservando o investimento produtivo e a competitividade internacional do País.”
Elas concluem: “A manutenção da tributação proposta compromete o ambiente de negócios, o crescimento sustentado do Brasil e pode gerar desequilíbrios macroeconômicos”. E pedem que o Congresso modifique o texto para preservar o investimento estrangeiro produtivo e os empregos associados.
Por: Estadão Conteúdo
Morre aos 69 anos Valter Pineli, conhecido empresário e corretor de imóveis em Anápolis. Conheça…
professora maria goreti ferreira da costa morre aos 63 anos em anápolis após luta contra…
teto de loja de roupas desaba no Brás, em São Paulo, mobilizando dezenas de bombeiros…
Anápolis enfrenta chuvas e riscos de alagamentos enquanto obras estruturantes de macrodrenagem aguardam liberação de…
Lula sanciona lei que torna obrigatório o exame de avaliação da formação médica para estudantes…
Silêncio do Senado sobre regras e sanções para Flávio Bolsonaro no exterior gera impasses administrativos,…
This website uses cookies.