O clima seco está interferindo no desenvolvimento das lavouras, principalmente na safra de inverno, que é quando os agricultores plantam e colhem a maior parte do milho produzido no ano. O resultado poderá ser sentido, já nas próximas semanas, na conta do supermercado. Isso porque, com menos milho disponível no mercado, os preços sobem e, consequentemente, também sobem os custos para produzir frangos, ovos, carne e leite (e tudo o que deriva desses ingredientes).

A agricultura segue um calendário que precisa ser cumprido à risca: no final do ano, inicia-se a safra de verão, com o plantio de soja e milho. Com as chuvas do período, as lavouras crescem rápido para serem colhidas entre meados de fevereiro e abril para, então, plantar a safra de inverno. Só que, no ano passado, a chuva não veio, os plantios de verão atrasaram, assim como a colheita, empurrando a safra de inverno (também chamada de safrinha ou segunda safra) para frente.

Resultado: houve queda na produtividade das lavouras de milho do verão, a janela de cultivo para o milho do inverno encurtou, o clima continuou seco, as pragas atacaram as lavouras e os preços estão em alta.

Por um lado, pode ser bom para o agricultor - se ele não perder todo o milho plantado e amargar um baita prejuízo, vai vender a commodity por preços mais valorizados no mercado internacional. Por outro, é ruim para o consumidor, que vai sentir no bolso mais uma alta no preço dos alimentos.

Ovos mais caros
A escassez no mercado é grande, e nem países do Mercosul como Paraguai e Argentina estão conseguindo suprir a demanda por milho. A indústria de rações anunciou que está tendo dificuldades para comprar o cereal e negociam com os Estados Unidos e a Ucrânia.

No carrinho do supermercado do brasileiro, o ovo veio ganhando espaço nos últimos anos. "Há 20 anos, cada brasileiro comia 94 unidades de ovo por ano. Dez anos atrás, o número saltou para 148 ovos por ano e hoje, são 251 unidades por ano", disse o presidente da Associação Brasileira de Proteína Animal - ABPA, Ricardo Santin.

A expectativa, é que neste ano, o consumo alcance 265 unidades por brasileiro. "Houve uma quebra dos tabus que envolviam o consumo de ovo e a ciência mostrou que é um alimento saudável."

O setor aponta que aumentaram os custos de produção. Em maio de 2020, a saca de milho era comprada pelos produtores de ovos por R$ 46, e hoje em dia, gira em torno de R$ 98 (uma alta de 113%).

Além disso, os insumos, como embalagens descartáveis, tiveram alta de 20% nos últimos meses e, portanto, não vai ter jeito: o ovo também vai ficar mais caro