Céu nublado é motivo para paralisar jogo? Entenda protocolo de alerta climático do Mundial


O cuidado com as condições climáticas durante o Mundial de Clubes causou estranhamento nos brasileiros, acostumados a jogos disputados em meio a grandes volumes de chuva e a adiamento apenas em caso de gramado prejudicado. Nos Estados Unidos, sede do torneio, contudo, paralisações e adiamentos em razão do mau tempo são comuns, por orientação do Serviço Nacional de Meteorologia americano.

Durante o novo torneio da Fifa, a partida entre Pachuca e Red Bull Salzbug, pela primeira rodada do Grupo H do Mundial de Clubes, foi paralisada durante 1h40 após alerta climático, nesta quarta-feira, em Cincinatti. Um dia antes, na terça, o duelo entre Mamelodi Sundowns e Ulsan foi iniciado após atraso de uma hora, também por causa das condições meteorológicas, mas em Orlando.

As decisões foram tomadas com base no protocolo desenvolvido pela Fifa, calcado nas recomendações do serviço de meteorologia dos EUA, que determina, em seu programa nacional, a execução de um “plano de segurança contra raios, cumprido sem exceções”.

“Autoridades responsáveis por atividades esportivas ao ar livre precisam entender o que são tempestades e raios para tomar decisões conscientes sobre quando buscar segurança. Sem esse conhecimento, as autoridades podem basear suas decisões em experiências pessoais e/ou no desejo de realizar a atividade. Infelizmente, decisões baseadas em experiências anteriores ou no desejo de realizar a atividade podem colocar a vida das pessoas envolvidas em risco”, diz o texto.

O órgão americano também determina diretrizes específicas para eliminar o que classifica como “erros de julgamento” a respeito das condições para realizar uma disputa esportiva e outras atividades ao ar livre. São listadas cinco questões que precisam ser respondidas na hora de conceber as regras:

Quando as atividades devem ser interrompidas?

Onde as pessoas devem procurar segurança?

Quando as atividades devem ser retomadas?

Quem deve monitorar o clima e tomar a decisão de interromper as atividades?

O que deve ser feito se alguém for atingido por um raio?

Os organizadores têm a responsabilidade de consultar a previsão climática mais recente para entender a probabilidade de tempestades. O Serviço Meteorológico cita fontes confiáveis de informações, como a Rádio Meteorológica NOAA, para que essas consultas sejam realizadas.

“Se houver previsão de tempestades, os organizadores devem considerar o cancelamento ou o adiamento da atividade ou evento. Em alguns casos, o evento pode ser transferido para um local fechado. Assim que as pessoas começarem a chegar ao evento, as diretrizes do plano de segurança contra raios devem ser seguidas. As autoridades devem monitorar as condições climáticas, o radar meteorológico e a tecnologia de detecção de raios para detectar tempestades em desenvolvimento ou se aproximando”, afirma.

Outra recomendação é que os eventos esportivos devem ser interrompidos quando é possível ouvir trovões, já que isso indica que a tempestade está a menos de 16 quilômetros de distância do local em que se ouve. “Uma ameaça significativa de raios se estende da base de uma nuvem de tempestade por cerca de 9,6 a 16 quilômetros”, explica o texto do programa nacional.

Também é destacado que a paralisação é necessária “se o céu parecer ameaçador, pois tempestades podem se desenvolver diretamente acima do estádio e algumas podem gerar raios assim que se movem para outra área.” Em ouro trecho, alerta que “não há lugar seguro ao ar livre quando há uma tempestade na área.”

Quanto ao momento em que a atividade deve ser retomada, a orientação é que os organizadores esperem menos de 30 minutos após o último trovão antes de autorizar que o evento continue.



Por: Estadão Conteúdo

Estadão

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