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Com tarifas, Trump busca pressionar países a ajustarem políticas comerciais


O que o governo de Donald Trump quer com o aumento de tarifas às importações é pressionar os países parceiros a reduzirem as suas taxas ou ajustarem suas políticas comerciais. É o que depreendeu a diretoria da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq) da leitura do comunicado que a Casa Branca divulgou nesta noite, depois do mandatário norte-americano anunciar as tarifas.

De acordo com o documento oficial, o governo dos EUA está elevando a alíquota do imposto de importação em 10% para todos os países, além de aplicar uma tarifa adicional recíproca para países que apresentam elevados déficits comerciais. As tarifas, segundo comunicado da Casa Branca, ficarão vigentes até que os déficits comerciais sejam resolvidos ou mitigados.

“Trump justificou essa nova medida como uma forma de aumentar a arrecadação e ao mesmo tempo reagir às tarifas aplicadas por outros países sobre produtos dos Estados Unidos. Com isso, ele busca pressionar os países a reduzirem suas taxas de importação ou ajustarem suas políticas comerciais. O objetivo, segundo ele, é fortalecer a economia americana, incentivando a substituição de importações pela produção local e promovendo investimentos no país”, diz a nota da Abimaq.

A entidade afirma ainda entender que alterações abruptas nas tarifas de importação tendem a resultar em insegurança comercial e econômica e que essa elevação de tarifa pode gerar impactos negativos significativos para economia brasileira e para a indústria brasileira de máquinas e equipamentos.

“Do total da receita do setor de máquinas e equipamentos, cerca de 20% é direcionado ao mercado externo. Em 2024, exportamos US$ 13,2 bilhões, destes, 25% ou US$ 3,5 bilhões, foram direcionados para os Estados Unidos, equivalente a 7% da receita total do setor. O Brasil importou cerca de US$ 4,7 bilhões em máquinas e equipamentos de origem norte-americana, portanto somos deficitários”, diz a Abimaq.

Ainda, de acordo com a associação, com a medida anunciada o Brasil será impactado negativamente em suas exportações para os Estados Unidos pois será menos competitivo em relação à indústria local de máquinas e equipamentos.

“Podemos citar como exemplo máquinas agrícolas, rodoviárias e máquinas para a indústria de transformação. Esses produtos, entre outros, são produzidos tanto pelo Brasil como pelos Estados Unidos, assim o aumento da tarifa significará perda de competitividade em relação aos produtos norte-americanos”, queixou a diretoria da Abimaq.

“Sabemos que o governo brasileiro vem buscando resolver a questão por meio de negociações, o que para a Abimaq é o melhor caminho. Temos expectativas que tal decisão, no caso do Brasil, seja revista, a fim de que a relação comercial seja preservada”, reconhece a nota.



Por: Source link

Estadão

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