Copom reforça, em ata, necessidade de ‘cautela e flexibilidade’ na próxima reunião, de junho


O Comitê de Política Monetária (Copom) repetiu, na ata da sua última reunião, que o cenário de “elevada incerteza” exige cautela adicional e flexibilidade para calibrar a taxa Selic no seu próximo encontro, dos dias 17 e 18 de junho. Na última quarta-feira, 7, o colegiado aumentou a taxa Selic de 14,25% para 14,75% ao ano, o maior nível desde julho de 2006.

“Para a próxima reunião, o cenário de elevada incerteza, aliado ao estágio avançado do ciclo de ajuste e seus impactos acumulados ainda por serem observados, demanda cautela adicional na atuação da política monetária e flexibilidade para incorporar os dados que impactem a dinâmica de inflação”, diz a ata publicada nesta terça-feira, repetindo um trecho do comunicado da semana passada.

Na sua última reunião, o colegiado abandonou o forward guidance – que vinha sendo renovado desde dezembro, quando o Copom aumentou a Selic em 1 ponto porcentual e sinalizou mais duas elevações da mesma magnitude, em janeiro e março – e deixou os seus próximos passos em aberto.

Na segunda-feira, 12, as medianas do Sistema Expectativas de Mercado, que embasam o relatório Focus, já passaram a indicar que a taxa Selic deve permanecer estável, em 14,75%, até o fim deste ano. Até a semana anterior, as projeções do mercado apontavam para um aumento residual de 0,25 ponto porcentual em junho, para 15,0%, seguido de um corte de mesma magnitude em dezembro.

O Copom também reforçou que “se manterá vigilante” e que a calibragem do aperto monetário continuará sendo guiada pelo objetivo de fazer a inflação cair à meta no horizonte relevante. Segundo o colegiado, o ciclo dependerá da dinâmica da inflação – em especial, dos componentes mais sensíveis à atividade e aos juros -, além das projeções e expectativas para o IPCA, do hiato do produto e do seu balanço de riscos.

O Comitê repetiu ainda as projeções de inflação que já haviam sido divulgadas no comunicado: de 4,8% para o fim de 2025 e de 3,6% para o fim de 2026, este último sendo o horizonte relevante da política monetária. A estimativa para o ano que vem está acima do centro da meta, de 3%, e leva em conta altas de 3,4% para os preços livres e de 4,0% para os administrados.

A projeção para 2025 está acima do teto da meta, de 4,50%, e considera altas de 5,3% e 3,5% para livres e administrados, nesta ordem.

Todas as projeções do BC partem do cenário de referência, com trajetória de juros extraída do relatório Focus e bandeira verde de energia elétrica em dezembro de 2025 e 2026. A taxa de câmbio começa em R$ 5,70 e evolui conforme a paridade do poder de compra (PPC). Os preços do petróleo seguem aproximadamente a curva futura por seis meses e, depois, sobem 2% ao ano.



Por: Estadão Conteúdo

Estadão

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