crise climática não está sendo compreendida por número suficiente de pessoas


A gravidade da crise climática não está sendo plenamente compreendida por um número suficiente de pessoas – e talvez esse seja o desafio mais complexo que a humanidade já enfrentou. Essa é a perspectiva do ambientalista Al Gore, ex-vice-presidente dos EUA e ganhador do Prêmio Nobel da Paz.

Gore participou do debate “Mudança Climática, Desenvolvimento Sustentável e Democracia” na sede do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), no centro do Rio, ao lado do presidente da instituição, Aloizio Mercadante.

De acordo com Gore, cerca de 175 milhões de toneladas de poluentes gerados pela atividade humana são lançados diariamente na atmosfera. Ele destacou que um aspecto crucial para lidar com essa situação é a mobilização de investimentos privados, com mitigação de riscos para os envolvidos, semelhante ao modelo do banco de fomento.

Al Gore ressaltou que o setor privado foi responsável pela maioria dos recentes investimentos em energias renováveis, observando que a energia solar se destaca como a mais econômica. Segundo ele, apenas as baterias tiveram uma diminuição de preço ainda mais acelerada.

O ex-vice-presidente salientou que atualmente existem meios para reduzir as emissões, mencionando energia mais acessível, aço verde, cimento verde e meios de transporte menos poluentes.

Para ele, o Brasil tem condições de se posicionar no centro do debate. Em relação à COP de Belém, Gore apontou a importância de evitar que as negociações fiquem estagnadas. Mercadante, por outro lado, reforçou que o governo brasileiro está decidido a realizar o evento na capital paraense, devido à sua localização no coração da floresta amazônica.

Sobre o consumo energético relacionado ao uso de inteligência artificial (IA), o ambientalista norte-americano mencionou que as pessoas estão ainda em processo de aprendizado sobre como utilizar os sistemas, enquanto os fabricantes de chips continuam a desenvolver modelos. Para ele, trata-se de um tema que exige atenção, mas não é motivo de alarme.

Al Gore comentou ainda que é preciso buscar mecanismos de ajuste na contabilidade de crédito de carbono e disse que é necessário buscar uma forma de precificar os prejuízos das emissões de carbono. Mas lembrou que esse tipo de iniciativa – com novos impostos – enfrenta resistências nos EUA e outros países.



Por: Estadão Conteúdo

Estadão

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