Desafios à frente são superáveis desde que haja consenso social por pacto fiscal, diz Ceron


O secretário do Tesouro Nacional, Rogério Ceron, disse nesta quinta-feira, 18, que o Brasil sofre há décadas com problemas fiscais. Ele considerou, no entanto, que os desafios nessa frente são “superáveis”.

“Há desafios pela frente, tem que ser honesto quanto a isso, mas são superáveis, e não é tão difícil quanto parece resolvê-los, desde que haja, de fato, um consenso social”, comentou Ceron, referindo-se à necessidade de um pacto com o Congresso para resolver definitivamente os desequilíbrios fiscais. “Aí realmente entramos num ciclo, sem dúvida nenhuma, virtuoso nos próximos dez anos”, acrescentou o secretário, que participou nesta quinta-feira de um painel em evento com investidores pessoa física realizado pela AGF.

Ceron frisou que o País “vai bem” se considerada a situação das contas externas, do crescimento econômico e do emprego.

Ele afirmou que o pico da inflação ficou para trás, e a convergência em direção à meta de 3% começa a ser vislumbrada, o que leva a uma perspectiva de corte de juros no ano que vem.

Falta avançar, ponderou Ceron, no campo fiscal, onde o País enfrenta um problema de difícil solução que se arrasta “há algumas décadas”.

“Na última década, ele foi piorando em todos os ciclos de governo. Foram piorando esses déficits primários e agora há uma tentativa de reversão. Todo mundo foi fazendo reformas, tentando dar sua contribuição”, disse o secretário do Tesouro.

Ele pontuou que, embora tenha se aproximado de equilíbrio nas contas primárias, o País ainda sofre com um déficit nominal, aquele que inclui os pagamentos de juros, muito relevante. “E ele é mais delicado neste momento, porque no pós-pandemia a situação fiscal se agravou no mundo todo. Todas as grandes economias estão com uma dificuldade fiscal muito grande. Isso tem efeito sobre a taxa de juros média no mundo todo.”

Ceron ressaltou que a recuperação fiscal precisa ser acelerada para dar condições a cortes maiores da taxa de juros, cuja consequência seria uma maior entrada de investidores na Bolsa. Durante o painel, o secretário falou sobre construção de patrimônio, entrando em temas como educação financeira e a evolução dos produtos de planejamento financeiro do Tesouro Direto.

Ele defendeu que o País pavimente um caminho para a ampliação de sua poupança de longo prazo. Observou que isso envolve não só instrumentos para apoiar a poupança das famílias, mas também um menor consumo da poupança do governo, passando, portanto, pela política fiscal.

“O Brasil não vai ser o país do futuro se a gente não trabalhar a poupança de longo prazo, não trabalhar a cultura de formação de poupança das famílias e não trabalhar na cultura de investimento”, assinalou Ceron.



Por: Estadão Conteúdo

Estadão

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