Detox digital: 5 dicas para se desconectar e cuidar do cérebro



Cada vez mais pessoas estão optando por se afastar temporariamente, ou até de forma definitiva, das redes sociais. O movimento, que ganhou força nos últimos meses, não é apenas uma tendência, mas reflexo de um esgotamento real provocado pela hiperconectividade. Em média, os brasileiros passam 9 horas e 13 minutos por dia na internet, segundo o Relatório Digital 2024, produzido pela We Are Social.

“Esse movimento ajuda na saúde mental e neurológica, porque faz uma limpeza desse hiperestímulo do circuito de dopamina e permite uma volta ao tempo analógico. As pessoas finalmente estão percebendo o quanto essa vida mergulhada na tecnologia satura, estressa e desgasta”, explica o neurologista Dr. Frederico Mennucci de Haidar Jorge, do Hospital Santa Catarina – Paulista.

Estudos confirmam os efeitos positivos de reduzir o tempo de tela. A pesquisa “Smartphone screen time reduction improves mental health: a randomized controlled trial”, publicada em 2025 na revista BMC Medicine, mostrou que limitar o uso de smartphones a duas horas por dia durante três semanas melhorou significativamente o bem-estar, o sono e reduziu sintomas depressivos e de estresse.

Prejuízos do excesso de telas para a saúde

O uso excessivo de celulares e redes sociais ativa de forma contínua o sistema de recompensa do cérebro, responsável pela liberação de dopamina, o neurotransmissor do prazer. Esse estímulo constante interfere nos mecanismos de atenção, emoção e sono. O resultado é um estado quase permanente de ansiedade e inquietação.

“Os vídeos curtos, como os de TikTok ou Reels do Instagram, sequestram a atenção e fazem o cérebro entrar em um ciclo de expectativa. A pessoa fica esperando algo interessante, e quando volta à rotina, tudo parece menos excitante, o que aumenta a frustração e a ansiedade”, diz Dr. Frederico Mennucci de Haidar Jorge.

Impactos na concentração e no desempenho mental

Segundo o médico, o uso exagerado das redes sociais também está diretamente ligado à dificuldade de concentração, à procrastinação e à queda no desempenho cognitivo. O consumo contínuo de informações fragmentadas e estímulos visuais rápidos exige esforço constante do cérebro para alternar o foco entre diferentes conteúdos, o que acaba desgastando a atenção sustentada.

“As redes sociais consomem energia mental e reduzem o foco nas próprias tarefas, uma vez que o cérebro é recompensado instantaneamente por likes, notificações e novidades, em detrimento da realização de atividades reais, que demandam mais tempo e paciência. Esse mecanismo de recompensa imediata interfere na capacidade de planejar e concluir tarefas do dia a dia e traz prejuízos para o indivíduo”, revela o Dr. Frederico Mennucci de Haidar Jorge.

É importante evitar usar o celular durante os momentos de descanso (Imagem: Ground Picture | Shutterstock)

Praticando o detox digital

Um dos sinais de alerta para o uso excessivo do celular é o chamado “loop digital”, quando a pessoa percebe que está abrindo o mesmo aplicativo várias vezes em poucos minutos. Esse comportamento indica que o uso se tornou automático, e nesse momento é fundamental interromper o ciclo e fazer uma pausa real. Para isso, o Dr. Frederico Mennucci de Haidar Jorge recomenda:

  1. Reservar horários específicos do dia para checar redes sociais;
  2. Evitar o celular durante atividades como refeições, estudos, conversas ou momentos de descanso;
  3. Desativar notificações e avisos;
  4. Deixar o celular longe do quarto à noite;
  5. Criar espaços livres de tecnologia.

“O ideal é usar a tecnologia em blocos de tempo, e não misturar com o cotidiano. Assim, o cérebro consegue se reorganizar e manter um ritmo mais saudável”, orienta.

Por fim, o neurologista ressalta que mais do que eliminar aplicativos, o detox digital propõe uma nova forma de relação com o mundo virtual, uma reconciliação entre o tempo online e o tempo real. Reaprender a se desconectar, ainda que por algumas horas ao dia, pode ser o primeiro passo para reconquistar foco, tranquilidade e qualidade de vida. Longe de ser um luxo, a prática é uma forma moderna e necessária de higiene mental.

Por Nadja Cortes





Fonte: Portal EdiCase

Redação EdiCase

Recent Posts

Com 18 mil multas, Br-153 em Goiás é a 5ª rodovia que mais registra ultrapassagens proibidas

BR-153 em Goiás acumula 18 mil multas por ultrapassagens proibidas, figurando entre as rodovias mais…

38 minutos ago

Sindiposto prevê desabastecimento de diesel em Goiás com corte de 20% nas entregas em outubro

Sindiposto alerta para redução de até 20% nas entregas de diesel em Goiás, gerando risco…

2 horas ago

Segundo suspeito de assalto em fazenda morre em confronto com a CPE Goianésia

Segundo suspeito de assalto em fazenda morre em confronto com a CPE Goianésia: zona rural…

5 horas ago

Cientistas brasileiros identificam oito exoplanetas com potencial para abrigar vida

Pesquisa do Observatório Nacional aponta oito exoplanetas com potencial para água líquida e vida, incluindo…

6 horas ago

Anápolis inicia construção de nova faixa no trevo da Havan para desafogar trânsito

Prefeitura de Anápolis inicia construção de terceira faixa no trevo da Havan para melhorar o…

13 horas ago

Goiânia inicia mutirão de castração gratuita para cães e gatos com microchipagem

Prefeitura de Goiânia oferece 1,5 mil castrações gratuitas para cães e gatos, incluindo microchipagem e…

18 horas ago

This website uses cookies.