Diretor do Fed defende cortes de juros mais rápidos porque espera desinflação forte de moradias


O diretor do Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano) Stephen Miran afirmou que defende maior celeridade no processo de flexibilização monetária porque espera uma forte desinflação nos preços de moradias, durante fórum do Nomura Research, nesta quarta-feira. Segundo ele, outros dirigentes do banco central americano concordam que a direção dos juros é de queda no momento, embora existam divergências sobre o ritmo de cortes.

“Não me deixo afetar por críticas a minha visão da política monetária”, afirmou o dirigente.

Miran disse que a política monetária está mais restritiva, considerando que a taxa neutra dos juros parece ter caído. Na visão dele, as políticas econômicas de imigração, regulação, comércio e fiscal dos EUA aceleraram mudanças no nível dos juros neutros e precisam ser analisadas em conjunto nas decisões monetárias.

Apesar de defender cortes, Miran suavizou seu discurso ao afirmar que cortes acima de 50 pontos-base (pb) não parecem ser necessários no momento, sinalizando maior cautela quanto a ajustes na política monetária.

O diretor do Fed apontou que a renovada tensão com a China, que ameaça o acordo comercial sino-americano, e a paralisação das atividades do governo reintroduzem incertezas na trajetória da economia dos EUA, que antes haviam sido dissipadas. “Isso mudou a balança de riscos. Se você estava preocupado com emprego, pode se preocupar mais sobre o mercado de trabalho nesta semana”, disse.

“Essas não são ameaças que vão acabar amanhã, embora exista uma pequena possibilidade. São questões que podem levar dias ou semanas para serem resolvidas, e controle de exportações da China ainda tem uma particularidade em relação a tarifas por afetar diretamente a cadeia de oferta de bens”, ponderou o diretor.

Contudo, Miran ressaltou que os Estados Unidos estão longe de um cenário que sinalize emergência econômica. Sobre as tarifas, o dirigente repetiu que não vê sinais de aumento na inflação de bens importados diferente do avanço nos preços de outros bens.



Por: Estadão Conteúdo

Estadão

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