O mercado financeiro brasileiro enfrentou um pregão de forte pressão nesta segunda-feira (28), com o dólar comercial encerrando o dia cotado a R$ 5,226. O valor representa uma alta de 0,83% e marca o maior nível de fechamento da moeda estadunidense desde 30 de março, refletindo um cenário global de aversão ao risco e incertezas geopolíticas.
Pressão externa e fuga de capitais
A valorização da divisa norte-americana foi impulsionada pela alta nos rendimentos dos títulos do Tesouro dos Estados Unidos, os chamados Treasuries. O rendimento do papel de 10 anos atingiu 5,2319%, tornando os ativos de economias avançadas mais atraentes e estimulando a saída de recursos de mercados emergentes, como o Brasil.
Além do movimento de juros, o clima de incerteza sobre as negociações entre Estados Unidos e Irã contribuiu para a volatilidade. O índice que mede o desempenho do dólar contra uma cesta de seis divisas globais manteve tendência de alta, consolidando o fortalecimento da moeda em escala internacional.
Desempenho da bolsa e indicadores econômicos
O Ibovespa acompanhou o pessimismo externo e recuou 0,26%, fechando aos 182.991,13 pontos. Este foi o quarto pregão consecutivo de queda para o principal índice da Bolsa brasileira, embora o acumulado do ano ainda registre uma valorização de 13,57%.
No cenário doméstico, o Banco Central divulgou que o país registrou um déficit de US$ 5,055 bilhões em transações correntes durante o mês de agosto. Em contrapartida, o investimento direto no país alcançou a marca de US$ 7,396 bilhões no mesmo período, conforme dados oficiais da Agência Brasil.
Volatilidade no mercado de petróleo
O setor de energia viveu um dia de oscilações acentuadas. O petróleo tipo Brent encerrou o dia cotado a US$ 97,83, uma alta de 0,40%, enquanto o WTI fechou em US$ 92,60, com valorização de 0,21%. Os preços foram influenciados pelas dificuldades logísticas no Estreito de Ormuz e pelas tensões no Oriente Médio.
Apesar da alta, os ganhos foram contidos por notícias sobre a retomada do bombeamento no oleoduto Leste-Oeste pela Arábia Saudita, com fluxo de 3,5 milhões de barris por dia. O mercado segue atento a possíveis avanços diplomáticos entre Washington e Teerã que poderiam ampliar a oferta global da commodity.
Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br



