Entenda como a menopausa pode causar coceira e ressecamento na pele



A perda de colágeno é uma consequência do período menopausal e geralmente levanta queixas sobre flacidez e rugas na pele. Mas, na verdade, a queda de produção dessa proteína estrutural, o afinamento da epiderme e a redução da capacidade de retenção de água favorecem episódios de coceira difusa na menopausa.

“A queda do estrogênio provoca alterações estruturais e funcionais na pele. Como consequência, ocorrem a xerose (ressecamento) e o prurido (coceira). Além disso, os episódios de calor e sudorese (fogachos) podem agravar a irritação cutânea. Muitas mulheres acreditam que estão com algum tipo de alergia e, na verdade, estão passando por flutuações hormonais importantes”, explica a Dra. Patricia Magier, ginecologista formada pela Universidade Federal Fluminense (UFF) e Título de Especialista em Ginecologia e Obstetrícia.

Efeito do estrogênio na pele feminina

Segundo a Dra. Patricia Magier, o estrogênio tem efeito direto sobre o tecido cutâneo, ao estimular a atividade dos fibroblastos, a síntese de colágeno e a manutenção da hidratação e elasticidade da pele. “Há uma associação entre menopausa e dermatoses comuns, incluindo ressecamento e coceira difusa; a literatura também descreve que mudanças hormonais influenciam o quadro inflamatório e impactam a barreira cutânea”, diz a médica.

Consulta médica é essencial para identificar as causas da coceira durante a menopausa (Imagem: Premreuthai | Shutterstock)

Quando buscar ajuda médica

Como nem sempre a causa da coceira e do ressecamento é exclusivamente hormonal, o melhor a fazer é buscar ajuda médica. “A coceira pode ter origem alérgica, dermatológica (eczema, psoríase), doenças sistêmicas (hepatopatias, distúrbios renais, alterações da tireoide), efeitos de medicamentos ou infestações. A história clínica e exame dirigidos são essenciais: início relacionado à transição menopausal, distribuição do prurido, presença/ausência de lesões visíveis, uso de cosméticos/medicações e sinais sistêmicos”, explica a Dra. Patricia Magier.

Tratamentos e abordagens possíveis

Medidas locais simples (emolientes densos, evitar banhos quentes, sabonetes suaves) costumam melhorar. “Em casos persistentes, avaliação médica é necessária e, quando indicado, o tratamento hormonal pode trazer benefício, sempre ponderando riscos e benefícios”, enfatiza a especialista.

Segundo a ginecologista, alguns tratamentos médicos podem ser usados também quando necessário. É o caso de anti-histamínicos orais e corticoides para controle sintomático de prurido intenso ou inflamação secundária. “No caso da terapia hormonal, há evidências que ela pode melhorar parâmetros da pele, com aumento de espessura epidérmica, aumento de colágeno e melhor hidratação”, diz.

Queixa subdiagnosticada

O desconforto cutâneo durante a transição hormonal ainda é pouco reconhecido e muitas vezes tratado como simples alergia. Essa percepção equivocada, por sua vez, atrasa o início de uma abordagem eficaz e individualizada.

“A coceira generalizada na transição menopausal é uma queixa subdiagnosticada. Então, antes de atribuir a coceira à alergia, é importante relatar ao médico o quadro, a relação com fogachos e a rotina de cuidados com a pele. Em casos de piora, com sangramento por coçar ou comprometimento da qualidade de vida, é fundamental buscar ajuda médica”, finaliza a Dra. Patricia Magier.

Por Maria Claudia Amoroso





Fonte: Portal EdiCase

Redação EdiCase

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