Governo bloqueia mais de 13 mil sites de apostas e investiga lavagem de dinheiro

4 Min de leitura

O governo federal intensificou o cerco contra o mercado de apostas online no Brasil, consolidando uma ofensiva que resultou no bloqueio de 13.241 sites ilegais desde o dia 25 de setembro. A medida, que marca uma mudança drástica no cenário digital do país, visa interromper o fluxo de recursos que, segundo estimativas oficiais, drenava centenas de milhões de reais diariamente da poupança das famílias brasileiras.

A ação coordenada pelo Ministério da Fazenda não se limitou apenas às páginas na web. As autoridades solicitaram a remoção de milhares de perfis e grupos em redes sociais, atingindo uma base de alcance superior a 17 milhões de usuários. O objetivo central é cessar a operação de plataformas que não possuem autorização para atuar no território nacional, conforme estabelecido pela legislação vigente.

Bloqueio massivo e combate à ilegalidade digital

A estratégia de fiscalização alcançou uma média diária de 1.103 solicitações de bloqueio. Além dos sites, o governo mirou a presença dessas empresas em plataformas como Facebook, Instagram, Telegram, TikTok, WhatsApp e Discord. O ministro da Fazenda, Dario Durigan, destacou que a interrupção desses serviços é fundamental para proteger o orçamento doméstico e conter a evasão de divisas.

Os dados revelam que, até a última segunda-feira (5), apenas uma das 188 plataformas autorizadas ainda operava, tendo seu bloqueio solicitado prontamente. O governo reforça que a medida é um passo decisivo para regularizar o setor e mitigar os impactos sociais causados pelo vício em apostas e pela exposição desregulada a cassinos virtuais.

Processo de devolução de saldos remanescentes

Com o encerramento das operações, o foco das autoridades voltou-se para a recuperação dos valores retidos nas plataformas. Cerca de 26,5 milhões de apostadores aguardam a devolução de um montante total de R$ 1,325 bilhão. O prazo para o resgate voluntário encerrou-se na segunda-feira (5), e agora as empresas têm até quarta-feira (7) para reportar os saldos e os dados bancários dos usuários às instituições financeiras.

A dinâmica de devolução revela uma alta concentração de capital. Aproximadamente 1% dos apostadores, totalizando cerca de 200 mil pessoas, detém 80% do valor total a ser restituído. Em contrapartida, existem cerca de 86,2 milhões de contas com saldos irrisórios, variando entre R$ 0,01 e R$ 0,99, o que explica a disparidade entre o número de contas ativas e o volume financeiro real.

Investigação sobre lavagem de dinheiro

Paralelamente ao processo de restituição, o governo iniciou uma apuração rigorosa sobre contas que apresentam movimentações atípicas. Cerca de 40 contas foram identificadas com saldos que superam a marca de R$ 500 mil ou R$ 1 milhão. Essas movimentações elevadas estão sob análise para verificar possíveis indícios de lavagem de dinheiro e conexões com organizações criminosas.

A fiscalização segue as diretrizes estabelecidas pelo Ministério da Fazenda, que mantém a vigilância sobre os fluxos financeiros remanescentes. O governo busca garantir que o encerramento das atividades das bets ocorra de forma transparente, assegurando que os valores legítimos retornem aos cidadãos enquanto os recursos ilícitos sejam bloqueados pelas autoridades competentes.

Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br

Compartilhar