As contas do Governo Central (que reúne as contas do Tesouro Nacional, Previdência Social e Banco Central) registraram déficit primário em julho, de acordo com o Tesouro. No mês, a diferença entre as receitas e as despesas ficou negativa em R$ 59,124 bilhões. O resultado sucedeu o déficit de R$ 44,296 bilhões em junho.
O saldo em julho foi o segundo pior desempenho em termos reais para o mês da série histórica, iniciada em 1997. Em julho de 2024, o resultado havia sido negativo em R$ 8,868 bilhões, em valores nominais.
O resultado do sétimo mês do ano veio abaixo da mediana das estimativas das instituições do mercado financeiro consultadas pelo Projeções Broadcast, que era de déficit primário de R$ 59,50 bilhões. O intervalo das estimativas, todas de déficit, variavam de R$ 69,4 bilhões a R$ 30,1 bilhões.
No acumulado do ano até julho, o Governo Central registrou déficit de R$ 70,270 bilhões. Em igual período do ano passado, esse mesmo resultado era negativo em R$ 76,240 bilhões, em termos nominais.
Em julho, as receitas totais tiveram alta real de 4,5% em relação a igual mês do ano passado. No acumulado, houve alta real de 3,5%. Já as despesas tiveram alta de 28,3% em julho, já descontada a inflação, em comparação com o mesmo período do ano passado. No acumulado do primeiro semestre, a despesa total apresentou alta real de 2%.
Em 12 meses até julho, o Governo Central apresenta déficit de R$ 34,1 bilhões, equivalente a 0,3% do PIB. Desde janeiro de 2024, o Tesouro passou a informar a relação entre o volume de despesas sobre o PIB, uma vez que o arcabouço fiscal busca a estabilização dos gastos públicos. No acumulado dos últimos 12 meses até julho, as despesas obrigatórias somaram 17,34% em relação ao PIB, enquanto as discricionárias do Executivo alcançaram 1,34% em relação ao PIB no mesmo período.
Para 2025, o governo almeja um resultado primário neutro (0% do PIB), permitindo uma variação de 0,25 ponto porcentual para mais ou para menos, conforme estabelecido no arcabouço. O limite seria um déficit de até R$ 31 bilhões. O limite de despesas para 2025 é fixo em R$ 2,249 trilhões neste ano.
Detalhamento
As contas do Tesouro Nacional incluindo o Banco Central registraram um déficit primário de R$ 16,440 bilhões em julho, de acordo com dados divulgados pelo Tesouro. Em 2025, o superávit primário acumulado até julho nas contas do Tesouro Nacional (com BC) foi de R$ 176,068 bilhões.
Já o resultado do INSS foi deficitário em R$ 42,684 bilhões no sétimo mês do ano. No acumulado até julho de 2025, o resultado foi negativo em R$ 246,339 bilhões.
As contas apenas do Banco Central tiveram déficit de R$ 310 milhões em julho e déficit de R$ 379 milhões no acumulado nestes sete meses.
Por: Estadão Conteúdo
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