Grande SP tem terceira morte suspeita por intoxicação com metanol


Por Redação O Estado de S. Paulo – 29/09/2025 14:26

A Secretaria de Segurança Pública de São Paulo (SSP) investiga a terceira morte suspeita por intoxicação com metanol após consumo de bebidas alcoólicas adulteradas. Essa é a segunda vítima em São Bernardo do Campo, cidade do ABC paulista. Outra morte foi registrada na capital.

A primeira morte confirmada em São Bernardo ocorreu no dia 18 de setembro. Um homem de 48 anos foi socorrido em Itu e transferido para São Bernardo, onde morreu.

O novo caso ocorreu neste domingo, 28. A polícia ainda aguarda o laudo da perícia para confirmar a intoxicação.

A facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC) pode estar por trás dos recentes casos de intoxicações provocadas por bebidas alcoólicas adulteradas em São Paulo, segundo a Associação Brasileira de Combate à Falsificação (ABCF).

Em nota divulgada neste domingo, 28, a entidade diz suspeitar que o metanol usado para adulterar as bebidas pode ser o mesmo importado ilegalmente pela facção para misturar aos combustíveis.

Há um mês, uma grande operação do Ministério Público de SP contra o crime organizado constatou o uso de combustível adulterado em postos. Os estabelecimentos usavam 90% de metanol – o máximo permitido é de 0,5% da substância na gasolina e no álcool.

O que é metanol?

Também chamado de álcool metílico, o metanol é um biocombustível altamente inflamável, que pode ser obtido por meio da destilação destrutiva de madeiras, processamento da cana-de-açúcar ou de gases de origem fóssil. Suas propriedades químicas são semelhantes ao etanol, mas com um nível mais elevado de toxidade.

Utilizada como solvente em indústrias químicas, a substância também é aplicada para a fabricação de plásticos e para a produção de biodiesel e combustível.

A ingestão acidental ou intencional de metanol provoca intoxicações graves e pode levar à morte. De acordo com o Governo, a adulteração de bebidas aumenta a gravidade da situação, já que, do ponto de vista de saúde pública, pode causar surtos epidêmicos com casos severos e alta taxa de letalidade.

Desde o último sábado, 27, a Secretaria da Saúde de São Paulo recomendou que bares, restaurantes e locais que fazem a venda de bebidas chequem com atenção a procedência dos produtos oferecidos pelos fornecedores.

A pasta alerta ainda para que a população compre somente bebidas de fabricantes legalizados e que possuam rótulo, lacre de segurança e selo fiscal, evitando opções de origem duvidosa para prevenir casos de intoxicação que podem colocar a vida em risco.



Por: Estadão Conteúdo

Estadão

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