Ibovespa cai em meio à cautela com cenário fiscal dos EUA e do Brasil


A cautela fiscal no Brasil e nos Estados Unidos volta a nortear o Ibovespa nesta quinta-feira, 22. Na quarta-feira, o temor com relação às contas públicas no País e com a dívida norte-americana já contaminaram os ativos. Em sintonia com as fortes perdas em Nova York na quarta-feira, o principal indicador da B3 fechou em baixa de 1,59%, aos 137.881,27 pontos – a maior desvalorização em seis semanas.

“Como o Ibovespa subiu forte recentemente e começou o processo de realização de lucros ontem, pode ser que continue. Os juros futuros estão avançando o que é fonte de pressão para baixo na Bolsa”, avalia Kevin Oliveira, sócio e advisor da Blue3.

Nesta manhã, a maioria dos índices das bolsas norte-americanas cai de forma moderada. Persistem os receios com a situação financeira dos EUA, ainda mais em meio a uma vitória do presidente do país, Donald Trump. Isso porque hoje cedo a Câmara do país aprovou a ampla proposta tributária e de gastos do republicano. Na Europa as bolsas cedem com mais intensidade, acima de 1,00%, refletindo ainda PMIs fracos da região. Nos EUA, o PMI preliminar subiu a 52,1 em maio, de 50,6 em abril, conforme a S&P.

De acordo com economistas, o projeto de Trump pode acrescentar de US$ 3 trilhões a US$ 5 trilhões à dívida dos EUA, de US$ 36,2 trilhões, ao longo da próxima década. “E isso é mais inflação, o que pode impedir corte dos juros americanos em junho, julho, ficando uma queda somente para setembro”, acrescenta Oliveira, da Blue3.

Em relação ao Brasil, o foco é o Relatório Bimestral de Avaliação de Receitas e Despesas Primárias, previsto para ser divulgado às 14h30, seguido de entrevista dos ministros Fernando Haddad (Fazenda) e Simone Tebet (Planejamento).

O detalhamento dos dados será acompanhado com afinco pelo mercado, em meio a sinais de que o governo cogita reforçar as medidas sociais.

O relatório, conforme a mediana encontrada no levantamento feito pelo Projeções Broadcast, deve trazer um congelamento de R$ 10,0 bilhões no Orçamento, o que representaria um déficit de 0,26% do Produto Interno Bruto (PIB). Já para cumprimento total da meta fiscal de zero, os cálculos indicam a necessidade de R$ 40,0 bilhões entre bloqueios e contingenciamentos.

Às 10h51, o Ibovespa caía 0,33%, aos 137.429,65 pontos, ante recuo de 0,39%, com mínima em 137.341,82 pontos, depois de subir 0,30%, na máxima em 138.294,01. Abriu em 137.881,27 pontos.

Entre as ações ligadas a commodities, as da Petrobras tinham declínio entre 1,17% (PN) e 1,77% (ON), refletindo o recuo de 1,30% do petróleo, em meio a temores coma demanda e a relatos de que a Opep+ considera um novo grande aumento de sua oferta em julho. Vale cedia 0,64%, apesar da alta de 0,14% do minério de ferro em dAlian. Usiminas caia 0,19% e as demais ações do setor de metais avançava.



Por: Estadão Conteúdo

Estadão

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