Ibovespa quebra correção e sobe 0,56%, de volta aos 142 mil pontos


Após uma abertura de semana com sequência de duas correções, o Ibovespa teve uma sessão de variação estreita, de cerca de mil pontos entre a mínima (141.356,43) e a máxima (142.385,02), tendo encerrado o dia anterior no menor nível desde 4 de setembro. Ao fim, mostrava nesta quarta-feira, 8, recuperação de 0,56%, aos 142.145,38 pontos, com giro a R$ 19,9 bilhões após ter subido, na terça, para a faixa dos R$ 24 bilhões. Na semana, o índice ainda cede 1,43%, colocando as perdas do mês a 2,80%. Na virada de setembro para outubro, desde o dia 30 foram sete sessões, em que o Ibovespa obteve nesta quarta apenas o segundo avanço – o precedente, na última sexta-feira, havia sido leve (+0,17%). No ano, sobe 18,18%.

Os ganhos na B3 não foram maiores nesta quarta-feira porque Petrobras permaneceu em baixa na ON (-1,00%) e na PN (-0,58%), apesar da alta superior a 1% no Brent e no WTI na sessão. O dia foi moderadamente negativo para algumas ações do setor financeiro, como Banco do Brasil (ON -0,42%) e Santander (Unit -0,21%). Por outro lado, Bradesco ON e PN fecharam em alta, pela ordem, de 1,47% e 1,61%, e Itaú PN, principal papel do segmento, subiu ao fim 0,19%. Vale ON avançou 0,77%

Na ponta ganhadora do Ibovespa, Ultrapar (+5,54%), B3 (+3,43%) e BTG Pactual (+3,04%). No lado oposto, Hypera (-5,02%), Brava (-3,10%) e Suzano (-2,17%).

“Veio um repique mas ainda falta gatilho, principalmente da parte macro. Até a temporada de resultados começar, a tendência é de que prevaleça certa cautela, posições mais defensivas, na ausência de novidades também sobre os juros. É uma correção saudável que se tem no momento”, diz Felipe Moura, gestor de portfólio e sócio da Finacap Investimentos. “Há uma certa cautela com relação, também, à votação hoje da MP do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF), em que o governo pode colher uma derrota”, observa Ian Lopes, economista da Valor Investimentos.

Lá fora, “importante observar que o mercado americano segue negociando com múltiplos muito esticados e, mesmo assim, atraindo grande parte do capital de risco”, aponta Anderson Silva, head da mesa de renda variável e sócio da GT Capital, acrescentando que, apesar dessa hegemonia das praças centrais, as bolsas da maioria dos emergentes também sobem “bem” no ano, e “as altas taxas de juros, pagas pelos governos para se financiarem, atraem dólares”, fazendo com que a moeda americana se deprecie frente à maioria das demais, acrescenta. Nesta quarta-feira, S&P 500 (+0,58%) e Nasdaq (+1,12%) voltaram a renovar máximas históricas.

A Capital Economics avalia que a ata da reunião de setembro do Federal Reserve (Fed), divulgada nesta tarde, “confirma um amplo apoio à flexibilização da política monetária” nos EUA, embora persistam preocupações com a inflação. Para a consultoria, o tom da ata indica que, embora a maioria dos integrantes apoie novos cortes, o Comitê Federal de Mercado Aberto (FOMC, na sigla em inglês) pode desacelerar o ritmo de afrouxamento.

Na agenda política doméstica, em dia decisivo no Congresso, o presidente Lula reuniu-se com ministros e líderes governistas para debater estratégias sobre a medida provisória 1.303 de 2025, apurou o Broadcast Político.

Por sua vez, o líder da oposição no Senado, Rogério Marinho (PL-RN), afirmou ao Broadcast Político que o grupo votará contra a medida provisória, o que intensifica o alerta para o governo. A MP perde a validade nesta quarta e ainda precisa do aval dos plenários da Câmara e do Senado. “Vamos votar contra. Chega de impostos”, disse Marinho.

Deputados receberam nos últimos dois dias telefonemas de Lula e do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, em uma disputa nos bastidores pela MP, lançada como alternativa do governo à derrota no IOF, reportam os jornalistas Alvaro Gribel e Mariana Carneiro, do Estadão.

Se aprovada, a MP pode ampliar a arrecadação do governo em 2026, em pleno ano eleitoral, em cerca de R$ 17 bilhões. A equipe econômica afirma que o esforço é necessário para fechar as contas do governo e cumprir a meta de superávit fiscal. A oposição, por sua vez, sustenta que o governo deseja arrecadar mais para bancar programas sociais para alavancar a imagem de Lula às vésperas da eleição.

O governo tenta nas horas finais reverter os votos dos parlamentares e aposta na maioria simples para aprovação da MP. Como mostrou a Broadcast na terça, o governo, em articulação capitaneada pelo Ministério da Fazenda, pediu às bancadas parlamentares temáticas que “tirem o pé” da votação, mesmo sendo contrárias. O pedido é para que, se as bancadas não votarem a favor da MP, não mobilizem a base contrária à medida. Após o pedido, alguns grupos têm sinalizado que não entrarão nessas articulações, em razão de a MP ter assumido o contorno de disputa política.

“O fiscal no Brasil vai e volta como assunto central do mercado, dependendo de quanto outros temas possam servir como ‘cortina de fumaça’ ao principal problema que temos a resolver, internamente”, diz Anderson Silva, da GT Capital.



Por: Estadão Conteúdo

Estadão

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