Impasse sobre emendas e arrecadação do governo trava elaboração das regras do Orçamento de 2026


O impasse sobre o calendário de pagamento de emendas parlamentares e a arrecadação do governo federal em 2026, período de eleições presidenciais, travou a elaboração das regras do Orçamento do ano que vem no Congresso Nacional. O projeto da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) define as regras do Orçamento da União e está atrasado há três meses – deveria ter sido aprovado em julho. A votação estava marcada para esta terça-feira, 14, na Comissão Mista de Orçamento (CMO) do Congresso, mas foi adiada a pedido do governo.

O relator da proposta, deputado Gervásio Maia (PSB-PB), incluiu no texto um calendário de pagamento de emendas, impondo ao governo federal o repasse dos principais recursos de interesse dos congressistas- emendas Pix e transferências para fundos de saúde e assistência social – no primeiro semestre do ano que vem, antes das eleições.

O Executivo é contra essa imposição por amarrar o caixa da União e também por colocar no fim da fila os repasses de interesse do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, como o Programa de Aceleração do Crescimento (Novo PAC). Nos bastidores, esse é o principal impasse entre o governo e os parlamentares na votação da LDO.

Na semana passada, a Câmara derrubou a medida provisória que aumentava a tributação sobre investimentos e bets e limitava as compensações tributárias.

O governo esperava arrecadar R$ 20,9 bilhões com as mudanças em 2026 e colocou essa receita no Orçamento do ano que vem. Além disso, calculou que a medida geraria R$ 15 bilhões em corte de gastos. Agora, sem a MP, o governo afirma que o Orçamento ficou com um “buraco” e precisará ser reajustado.

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, defendeu, em audiência na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado, uma rediscussão das medidas para cobrir o rombo deixado pela medida provisória que caiu, incluindo a aprovação de novas receitas. Além da MP, o governo previu arrecadar mais R$ 19,8 bilhões no próximo ano se ancorando no projeto de corte de benefícios tributários, que está parado.

Haddad pediu uma definição de como ficará o Orçamento para delimitar, inclusive, o calendário de pagamento de emendas. “O que eu estou pedindo é o seguinte: vamos definir qual vai ser o tamanho do Orçamento para aprovar a LDO”, disse o ministro, destacando que a definição evitaria atritos entre Executivo e Legislativo no ano que vem. “Quem vai decidir o tamanho do Orçamento são vocês”, afirmou Haddad aos parlamentares.

Líderes do Congresso, porém, são resistentes à ideia de aumentar impostos, posição externada pelo presidente da CMO, senador Efraim Filho (União-PB), durante a audiência com Haddad. Segundo ele, o governo deveria cortar gastos, e não buscar novas receitas, para ajustar o Orçamento.

“Me parece que o governo decidiu que quer gastar e, a partir do momento que decidiu que quer gastar, ele quer encontrar receita que seja compatível a isso, e não é essa conta que vai fechar”, disse Efraim, defendendo corte de gastos para compensar a rejeição da MP. “Quando o Congresso decide derrubar uma medida provisória, você disse: tá bom, chega, não dá mais para ficar aumentando alíquota e aumentando imposto, eu tenho de fazer equilíbrio pelo lado da despesa.”

Na discussão, Haddad chamou atenção para a possibilidade de corte em emendas parlamentares em 2026, que devem superar R$ 52 bilhões. Segundo o ministro, o governo pode ser obrigado a reduzir o valor em mais de R$ 7,5 bilhões se a rejeição da MP não for compensada. O corte vai na contramão do que quer o Congresso, que é impor um pagamento obrigatório de emendas no ano que vem.

Haddad evocou um dispositivo da lei complementar sobre emendas aprovada no ano passado e das decisões do Supremo Tribunal Federal (STF), que diz que as emendas não podem crescer mais do que as demais despesas. Com base nesse entendimento, o governo vem congelando recursos indicados por deputados e senadores no Orçamento. Com uma arrecadação menor, a necessidade de congelamento aumenta.

“Isso (corte de R$ 7,5 bilhões em emendas) não vai cumprir a lei complementar e menos ainda o cronograma que está na LDO sobre liberação. Temos de rediscutir essa questão para verificar como acomoda a decisão que foi tomada na peça orçamentária”, disse o ministro da Fazenda.

No Orçamento de 2026, o governo incluiu uma autorização para congelar e ainda cancelar emendas definitivamente no ano que vem para cumprir o arcabouço fiscal. A proposta ainda precisa ser votada no Congresso.



Por: Estadão Conteúdo

Estadão

Recent Posts

Alimentação indevida por visitantes causa morte de peixes no Parque Ipiranga

Veterinária alerta que restos de comida jogados por visitantes no Parque Ipiranga, em Anápolis, causam…

5 horas ago

Anápolis perde a educadora Aparecida Alves Vilela Rodrigues aos 59 anos

A educadora Aparecida Alves Vilela Rodrigues faleceu aos 59 anos em Anápolis. Ela dedicou mais…

8 horas ago

São Paulo garante vaga na final do Brasileirão Feminino após vitória sobre o Flamengo

São Paulo vence o Flamengo e garante vaga na final do Brasileirão Feminino 2026. Adversário…

9 horas ago

Petrobras adere à subvenção do diesel para manter preços nas bombas

Petrobras adere à subvenção de R$ 1 por litro de diesel para estabilizar preços. Valor…

9 horas ago

Goianésia tropeça mais uma vez e perde para o lanterna Trindade

Goianésia tropeça mais uma vez e perde para o lanterna Trindade: O Goianésia perdeu mais…

9 horas ago

Força Tática Goianésia prende suspeito de tráfico com aproximadamente 2 kg de maconha

Força Tática Goianésia prende suspeito de tráfico com aproximadamente 2 kg de maconha: Uma ação…

9 horas ago

This website uses cookies.