Escola lançou livro produzido por alunos da Educação Especial e inaugurou espaço sensorial em homenagem a uma estudante | Imagens: Dener Rafael
A Escola Estadual Luiz Gonzaga Sobrinho, em Goianésia, realizou nesta sexta-feira (23) duas ações voltadas à inclusão e à valorização dos estudantes da Educação Especial: o lançamento do livro Mãos que Criam, Mentes que Florescem e a inauguração do Jardim Sensorial Pérola. A programação reuniu trabalhos desenvolvidos pelos próprios alunos e homenageou uma estudante da instituição que morreu no primeiro semestre de 2026.
As iniciativas fazem parte de um trabalho conduzido pelo Atendimento Educacional Especializado (AEE), com atividades que buscam ampliar as formas de expressão, participação e aprendizagem dos estudantes. O projeto reúne experiências com escrita, desenho, fotografia, pintura, música, dança, jogos e contato com a natureza.
Durante a apresentação, a psicopedagoga e professora do AEE, Lucélia Ângela, destacou que a educação inclusiva exige reconhecer diferentes formas de aprender, perceber e se comunicar com o mundo.
“Na educação inclusiva, aprendemos diariamente que aprender vai muito além do olhar para o quadro”, afirmou a professora ao explicar a proposta que orientou as atividades desenvolvidas pela escola.
Segundo Lucélia, quando existem barreiras na comunicação, nas experiências sensoriais ou na aprendizagem abstrata, o desafio da escola é criar condições para que todos os estudantes possam participar do processo educativo.
Durante discurso, Lucélia ressaltou que a publicação representa o potencial artístico dos estudantes e permite que suas produções sejam conhecidas pela comunidade escolar.
A proposta também valoriza o protagonismo dos alunos, colocando suas criações no centro da atividade. Em vez de limitar a aprendizagem a formatos tradicionais, o projeto utiliza diferentes linguagens para favorecer a participação e a comunicação.
A produção do livro integra um conjunto de ações que se desenvolveram ao longo do ano, envolvendo atividades artísticas e experiências práticas. Os trabalhos permitem explorar habilidades individuais e coletivas, respeitando as formas de expressão de cada estudante.
O ambiente foi preparado com o envolvimento da comunidade escolar e apoio de familiares. Ao longo do projeto, foram realizadas atividades de preparação do solo, plantio de mudas e organização do espaço, que recebeu esculturas de animais típicos do Centro-Oeste.
De acordo com Lucélia, o jardim oferece novas oportunidades para os estudantes explorarem o ambiente escolar, desenvolverem os sentidos e participarem de atividades relacionadas ao cuidado com a natureza.
A professora também destacou o significado afetivo do espaço. O nome Pérola homenageia uma estudante da escola que morreu no primeiro semestre deste ano. A proposta é preservar a memória da aluna e manter sua lembrança presente na rotina da comunidade escolar.
Durante a cerimônia, Lucélia falou sobre a importância de unir inclusão e afeto na construção do projeto. Para ela, o jardim representa não apenas um ambiente de aprendizagem, mas também uma forma de transformar a saudade em memória compartilhada.
A música, a dança e a expressão corporal tiveram espaço nas atividades. A professora citou a participação do grupo Semente da Diversidade, do coral de Libras e do coral do Arte Educa, iniciativas que contribuíram para ampliar as possibilidades de expressão e interação.
Os estudantes também participaram de jogos de memória, quebra-cabeças e atividades de gamificação, inclusive com materiais produzidos a partir de fotografias do próprio projeto. As propostas trabalharam aspectos como raciocínio, matemática prática, autonomia e interação.
Outro destaque foi a participação dos alunos nas atividades de cultivo e na feirinha de mudas, que aproximaram a aprendizagem de situações cotidianas e experiências concretas.
A integração entre diferentes áreas permitiu que os estudantes participassem de atividades variadas, explorando habilidades artísticas, cognitivas, sensoriais e sociais.
Em seu discurso, Lucélia agradeceu aos estudantes, professores, intérpretes de Libras, profissionais de apoio e equipes administrativa e pedagógica, além das famílias e dos parceiros que contribuíram para a realização das ações.
A professora também ressaltou a colaboração entre a Educação Especial e o projeto Arte Educa, destacando o envolvimento dos estudantes nas atividades artísticas.
O apoio das famílias foi apontado como parte importante do trabalho, especialmente na preparação do jardim e na construção de um ambiente acolhedor para os alunos. A iniciativa contou ainda com esculturas de animais do Centro-Oeste que ajudam a compor o espaço sensorial.
Ao encerrar a apresentação, Lucélia reforçou a importância da união entre escola, família e comunidade para superar barreiras e ampliar as oportunidades de aprendizagem.
O lançamento do livro e a inauguração do Jardim Sensorial Pérola marcaram, assim, a apresentação pública de um trabalho que combina inclusão, expressão artística, experiências sensoriais e valorização da memória de uma estudante.
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