O esporte nacional perdeu um de seus maiores pioneiros. Chiaki Ishii, primeiro atleta a conquistar uma medalha olímpica e mundial pelo Brasil nos tatames, morreu nesta sexta-feira aos 85 anos de idade. A confirmação do falecimento mobilizou homenagens de federações esportivas e admiradores das artes marciais em todo o território nacional, embora a causa da morte não tenha sido divulgada oficialmente pela família.
Ishii marcou seu nome de maneira indelével na história esportiva brasileira durante a edição dos Jogos Olímpicos de Munique, em 1972, quando faturou o bronze na categoria meio-pesado. O feito veio logo após outra façanha pioneira: no ano anterior, o atleta já havia garantido o primeiro pódio do país em mundiais ao faturar também a medalha de bronze no torneio disputado em Ludwigshafen, na então Alemanha Ocidental.
Nascido na localidade de Ashikaga, no Japão, Ishii desembarcou em solo brasileiro no ano de 1964, quando tinha apenas 22 anos. A mudança de país ocorreu logo após ele não obter a classificação na concorrida seletiva olímpica japonesa para os Jogos de Tóquio. Disposto a construir um novo caminho de vida, ele viu no Brasil o cenário perfeito para recomeçar.
Nos primeiros anos no interior paulista, a rotina foi marcada pelo trabalho pesado no campo. Ishii atuou na lavoura como agricultor dentro de uma colônia japonesa estabelecida no município de Presidente Prudente, no estado de São Paulo. Contudo, a dedicação à modalidade falou mais alto, e ele rapidamente retornou à prática regular das lutas e ao aperfeiçoamento técnico.
A identificação com a nova pátria se consolidou de forma definitiva em 1969, momento em que Ishii formalizou a sua naturalização como cidadão brasileiro. A partir de então, passou a representar as cores do país em competições internacionais, inaugurando uma série de conquistas inéditas para o esporte.
Em 1971, durante o Mundial de Ludwigshafen, ele subiu ao pódio ao alcançar o terceiro lugar, escrevendo o primeiro grande capítulo internacional da equipe brasileira sênior. No ano seguinte, nos tatames alemães de Munique, confirmou o protagonismo técnico ao colocar a bandeira nacional entre os medalhistas olímpicos, inspirando as gerações que transformaram a modalidade na mais vitoriosa do Brasil nos Jogos.
A relevância dos feitos de Ishii foi destacada por entidades esportivas oficiais, incluindo a Confederação Brasileira de Judô. O presidente da entidade, Paulo Wanderley, enfatizou o papel basilar exercido pelo mestre não apenas nos torneios, mas principalmente na formação educacional e técnica de novos atletas.
De acordo com dirigentes e companheiros de modalidade, o trabalho desenvolvido por Ishii abriu portas estruturais e metodológicas para dezenas de competidores ao longo de quase seis décadas. Sua filosofia de dedicação integral e disciplina técnica continua servindo de modelo formativo para centros de treinamento em todas as regiões brasileiras.
Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br
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