O Ministério Público do Estado de São Paulo (MPSP) formalizou a denúncia contra dois homens envolvidos na comercialização de bebidas alcoólicas falsificadas em Guarulhos. O caso, que ganhou repercussão após uma consumidora perder permanentemente a visão, expõe os riscos graves da venda de produtos sem procedência e a negligência na fiscalização de insumos em estabelecimentos comerciais.
A dinâmica da falsificação e a negligência comercial
Segundo as investigações conduzidas pela 16ª Promotoria de Justiça Criminal de Guarulhos, a operação criminosa envolvia um esquema de aquisição deliberada de produtos sem nota fiscal. O proprietário de um estabelecimento na Avenida Guarulhos, em São Paulo, priorizava a compra de bebidas com preços abaixo do mercado, ignorando as exigências legais de documentação e autenticidade.
O fornecedor, por sua vez, atuava como o elo entre mercados informais e o ponto de venda. Ele adquiria vodcas de fontes desconhecidas nas proximidades do Mercado Municipal de São Paulo e as distribuía para o comércio local, rotulando-as como produtos de marcas reconhecidas, sem qualquer garantia de controle de qualidade ou segurança sanitária.
O impacto do metanol na saúde da vítima
A tragédia ocorreu em 27 de setembro de 2025, quando uma cliente ingeriu a bebida adulterada no local. A mulher foi diagnosticada com uma grave intoxicação por metanol, substância altamente tóxica e imprópria para o consumo humano, que resultou em danos irreversíveis ao seu sistema visual.
Após o incidente, uma operação de fiscalização realizada em 15 de outubro de 2025 resultou na apreensão de diversas garrafas no estabelecimento. A perícia técnica confirmou a presença de metanol em concentrações alarmantes, variando entre 34,6% e 40,9%, caracterizando as bebidas como substâncias nocivas à saúde pública.
Desdobramentos judiciais e responsabilidade penal
Os dois acusados foram denunciados formalmente na última sexta-feira (25). Eles deverão responder pelos crimes de falsificação de produto destinado ao consumo e lesão corporal, enfrentando as penalidades previstas na legislação brasileira para delitos que colocam a vida de terceiros em risco.
O caso serve como um alerta crítico sobre a importância da verificação de selos de procedência e a responsabilidade dos proprietários de bares e restaurantes. Para mais informações sobre os direitos do consumidor e segurança alimentar, consulte o portal oficial do Ministério Público do Estado de São Paulo.

