Lula diz que intervenções estrangeiras na AL podem causar danos, num recado aos EUA


O presidente Luiz Inácio Lula da Silva mandou um recado aos Estados Unidos nesta segunda-feira, 20, afirmando que “intervenções estrangeiras” na América Latina “podem causar danos maiores do que o que se pretende evitar”.

Lula não mencionou especificamente os norte-americanos, mas o recado diz respeito à tensão entre Estados Unidos e Venezuela. O presidente norte-americano, Donald Trump, confirmou na semana passada que autorizou operações da CIA na Venezuela. Trump acusa o governo de Nicolás Maduro de apoiar o narcotráfico no País.

“Na América Latina e Caribe também tivemos um momento de crescente polarização e instabilidade. Manter a região como zona de paz é nossa prioridade. Somos um continente livre de armas de destruição em massa, sem conflitos étnicos ou religiosos. Intervenções estrangeiras podem causar danos maiores do que o que se pretende evitar”, afirmou.

A declaração de Lula foi dada em cerimônia conjunta de entrega de cartas credenciais de embaixadores de outros países que vão atuar no Brasil. Essa entrega de cartas credenciais é uma formalidade do processo de envio de um embaixador a outro país. Ela é assinada por um chefe de Estado e enviada a outro. Marca o início da atuação do embaixador no País.

Lula se desculpou com os embaixadores por fazer a cerimônia conjunta. Disse que sua agenda está “insuportável” nesta segunda e que terá de viajar na terça (21) para o sudeste asiático, o que fez com que tivesse de intensificar agendas nesta segunda.

O presidente brasileiro reforçou que “levar o Brasil de volta à cena internacional foi uma das minhas missões mais urgentes deste mandato”. Também voltou a dizer que pretende assinar o acordo comercial entre Mercosul e União Europeia em dezembro, quando será realizada a cúpula do bloco sul-americano no Brasil. Segundo Lula, as “relações com a Europa seguem estratégicas” e o “acordo é símbolo contra protecionismo”.

O presidente também lembrou da realização da COP30, em Belém, em novembro. Cobrou que países ricos participem da discussão sobre preservação do meio ambiente e lembrou do TFFF (Fundo de Florestas Tropicais para Sempre, na sigla em inglês), fundo que será lançado na COP pelo Brasil para remunerar países que mantiverem suas florestas tropicais preservadas. Disse que o objetivo da iniciativa é “fomentar o desenvolvimento sustentável”.



Por: Estadão Conteúdo

Estadão

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