Madagáscar fala em golpe após militares aderirem a protestos


Um contingente do exército de Madagáscar anunciou neste domingo, 12, que havia assumido o controle das forças armadas do país, logo após o presidente desta nação insular africana denunciar uma tentativa de tomada do poder. O contingente militar rompeu com o governo e juntou-se aos manifestantes no sábado.

Madagáscar tem sido abalada há três semanas pelos mais significativos distúrbios dos últimos anos no país. Os protestos contra o governo são liderados por um grupo que se autodenomina “Gen Z Madagascar” ou “Gen Z Mada”. Segundo a ONU, as manifestações já deixaram 22 mortos.

O movimento de protesto tem angariado apoio principalmente pelas redes sociais. Ele representa o maior desafio para o presidente Andry Rajoelina desde sua reeleição, em 2023.

Alguns dos manifestantes costumam usar camisetas e levar faixas com um símbolo – uma caveira com um chapéu de palha da série de mangá japonesa One Piece – cada vez mais comum em atos liderados por jovens em outros países, como Indonésia e Peru.

QUEIXAS

Após rumores de que Rajoelina poderia ter deixado o país, ele procurou reprimir qualquer sugestão de que seria forçado a abandonar o poder. Seu gabinete divulgou uma declaração na noite de sábado dizendo que ele e o primeiro-ministro estavam “totalmente no controle dos assuntos da nação”.

Os protestos, que começaram pela falha do governo em fornecer eletricidade e água à população, explodiram em uma revolta por queixas mais amplas, incluindo corrupção, má governança e baixa qualidade de vida.

A mídia local e vídeos que circulam nas redes sociais mostraram confrontos violentos entre manifestantes e forças de segurança na capital, Antananarivo, no sábado, 11. As forças de segurança têm disparado gás lacrimogêneo e balas de borracha contra manifestantes com frequência nas últimas duas semanas.

Em resposta às manifestações, Rajoelina trocou seu primeiro-ministro e todo o gabinete. Embora tenha chegado ao poder derrubando o governo, Rajoelina agora alerta contra uma medida semelhante, dizendo que o país não pode se dar ao luxo de ser desestabilizado.

Cerca de três quartos dos 32 milhões de habitantes de Madagáscar vivem na pobreza, segundo o Banco Mundial. Condições climáticas extremas prejudicaram a produção agrícola, um dos principais motores da economia do país. (Com agências internacionais).

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.



Por: Estadão Conteúdo

Estadão

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