Magistrado diz que autista ‘deixa de ser filho’; OAB reage


A Ordem dos Advogados do Brasil no Pará prepara minuta de uma petição que deverá ser levada ao Conselho Nacional de Justiça com pedido de medidas sobre a conduta do desembargador Amilcar Roberto Bezerra Guimarães, do Tribunal de Justiça do Estado. Durante uma sessão de julgamento sobre pensão alimentícia para uma criança autista, na semana passada, o desembargador declarou que há uma “epidemia” de diagnósticos de autismo que, segundo ele, se transformou em uma “mina de enriquecimento de médicos”.

O Estadão pediu manifestação de Guimarães, inclusive por e-mail enviado ao seu gabinete, mas não houve retorno. Para o desembargador, criança com síndrome de transtorno do espectro autista (TEA) “deixa de ser filho e passa a se tornar um transtorno, inviabilizando a vida do pai”.

Ele criticou a fixação de valores elevados. No julgamento sugeriu, ainda, que a mãe da criança poderia estar sendo induzida ao pedir 25% de pensão sobre os salários do pai. Segundo ele, “não há melhora (com o tratamento), nunca vão dizer que (o paciente) está curado e manter essa vaca leiteira por um bocado de tempo”. Guimarães ainda debochou. “Se a moça tivesse se casado com Antônio Ermírio de Moraes não teria esse tipo de problema”, disse, em alusão ao empresário morto em 2014.

Reação

A fala do magistrado provocou imediata reação da OAB paraense. “O Poder Judiciário tem o dever de evitar a reprodução de estereótipos discriminatórios, assegurar tratamento igualitário entre homens e mulheres e combater as violências estruturais e simbólicas”, disse a entidade. Ela considera que Guimarães usa “expressões que atentam contra os direitos das crianças, das mulheres e das pessoas com deficiência”.

Por meio de nota pública, a OAB repudia a manifestação do desembargador. “Por uma Justiça protetiva e responsável”, pede a Ordem. A entidade defende ainda “decisões comprometidas com os direitos da criança e livres de estigmas e generalizações”.

Com o apoio técnico das Comissões de Autismo, Defesa dos Direitos da Pessoa com Deficiência, da Mulher Advogada, de Direitos Humanos, de Direito Médico e dos Profissionais da Saúde, da Criança e do Adolescente e do Direito das Famílias e Sucessões, foram elaborados um requerimento de providências ao Conselho Seccional da OAB-PA e uma minuta que será apresentada ao Conselho para ser aprovada e, em seguida, encaminhada ao CNJ “em nome de toda a advocacia”. O presidente e a vice da Seção Pará da OAB, Sávio Barreto e Brenda Araújo, foram recebidos pela presidência do Tribunal de Justiça para “discutir a gravidade do ocorrido e cobrar providências para que a fala (do desembargador) não se repita”.

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.



Por: Estadão Conteúdo

Estadão

Recent Posts

Prefeitura promete sinalização em via do Setor Campinas após cobrança de Moradores por segurança

Moradores cobram sinalização em via recapeada após acidentes frequentes. Prefeitura promete execução do serviço em…

34 minutos ago

Equatorial Goiás monitora rede elétrica diante de chuvas previstas para todos os municípios goianos de hoje (5) a domingo

Equatorial Goiás monitora rede elétrica diante de chuvas previstas para todos os municípios goianos de…

1 hora ago

Escolas municipais de Goianésia são premiadas no Agrinho 2026

Escolas municipais são premiadas no Agrinho 2026: cipais de Goianésia conquistaram seis premiações no Agrinho…

2 horas ago

Criminosos fingem ser juiz e advogado para aplicar golpe financeiro

Criminosos se passam por advogado e juiz e causam prejuízo financeiro expressivo. Saiba como identificar…

2 horas ago

Contemplados pela Lei Aldir Blanc devem entregar documentos à Secretaria de Cultura

Contemplados pela Lei Aldir Blanc devem entregar documentos à Secretaria de Cultura: ntemplados pela Política…

2 horas ago

Homem é preso suspeito de estuprar a sobrinha após invasão de quarto em Anápolis

Homem de trinta e cinco anos é preso em flagrante após estuprar a própria sobrinha…

4 horas ago

This website uses cookies.