o que incomodou EUA foi Lula falar de novo padrão monetário no Brics


O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) disse nesta sexta-feira que as tarifas de 50% sobre produtos brasileiros anunciadas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, refletem um incômodo do governo americano com posturas e declarações do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

“O Lula teima, fica ao lado de ditadores: China, Rússia, Irã, Venezuela”, disse Bolsonaro a jornalistas. “E outra coisa: o que incomodou o governo americano, e muito, foi, por ocasião do Brics, o Lula falar em um novo padrão monetário, quer o dólar fora das negociações do Brics, entre outras coisas que ele fez.”

Nesta sexta-feira, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes determinou que Bolsonaro terá de usar tornozeleira eletrônica e o proibiu ter contato com outros investigados pela corte, além de ter determinado uma busca e apreensão na casa do ex-presidente.

Moraes afirmou, na sua decisão, que há provas de que Bolsonaro está atuando com seu filho, o deputado federal licenciado Eduardo Bolsonaro, para atentar contra a soberania nacional, “com o objetivo claro de interferir no curso de processos judiciais, desestabilizar a economia do Brasil e pressionar o Poder Judiciário.”

Ao anunciar as tarifas contra o Brasil na semana passada, Trump citou uma “caça às bruxas” contra Bolsonaro, por causa da investigação contra ele no STF. Eduardo é visto como responsável por convencer o presidente americano a adotar as taxas, como forma de pressionar o Brasil a não processar o ex-presidente.

Bolsonaro alegou que Lula “fica o tempo todo alfinetando o governo americano”, e lembrou que o petista apoiou a candidata do partido democrata, a então vice-presidente americana Kamala Harris, nas últimas eleições, das quais Trump saiu vencedor. “Ele quer que seja tratado com cordialidade?”, questionou.

O ex-presidente ainda defendeu que é necessário que o Brasil dialogue com os Estados Unidos, para que não haja impactos negativos das tarifas sobre a população e empresários. Indagado sobre o Pix, que entrou como um dos alvos de uma investigação dos EUA sobre práticas comerciais do País, Bolsonaro defendeu o sistema de pagamentos, e disse que ele gerou prejuízos a banqueiros.



Por: Estadão Conteúdo

Estadão

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