Por que padres ‘orientais’ podem ser casados e os do Ocidente são proibidos? Entenda a doutrina


Além da Igreja Católica Romana, existem outras 23 denominações que, embora subordinadas ao papa, seguem ritos próprios de sua cultura

Uma das regras mais conhecidas e debatidas da Igreja Católica Apostólica Romana é a proibição do casamento para padres e seus superiores.

Nesta que é a Igreja Católica mais famosa no mundo, só diáconos, uma espécie de ajudante do padre, podem ser casados, desde que atendam alguns requisitos. Existem dois tipos de diáconos: o transitório, que vai dar sequência aos estudos para se tornar padre, e o permanente, que nunca chegará a padre. Só o permanente pode ser casado – mas não pode se casar depois de ser ordenado.

O diácono permanente pode ser casado desde que seja ordenado mais de cinco anos depois do casamento, que a esposa autorize, por escrito, o marido a assumir esse posto e que o casal mantenha uma rotina condizente com os valores cristãos. Se o diácono ficar viúvo, não pode se casar novamente.

A Bíblia não proíbe o casamento, mas não o recomenda a quem pretende se tornar líder religioso. “O homem que não é casado preocupa-se com as coisas do Senhor, em como agradar ao Senhor. Mas o homem casado preocupa-se com as coisas deste mundo, em como agradar sua mulher, e está dividido”, escreveu o apóstolo Paulo nas cartas aos Coríntios (1 Coríntios 7:32-35).

Para o cristianismo, o padre representa Jesus Cristo, que era casto e solteiro. Ao permanecer assim, os padres ficam mais próximos de sua figura modelo. Mas o celibato só se tornou obrigatório a partir do Concílio de Latrão, em 1123.

Além da Igreja Católica Romana, existem 23 denominações de Igrejas Católicas com ritos orientais, como a Igreja Maronita, a Igreja Católica Siríaca, a Igreja Greco-Católica Melquita e a Igreja Católica Caldeia, que concentram seus fiéis em países como Índia, Ucrânia, Líbano e Síria.

Em 21 dessas 23 Igrejas, os padres podem ser casados – as únicas exceções são as duas igrejas católicas indianas, Siro-Malabar e Siro-Malancar.

Nessas 21, a regra é a mesma dos diáconos da Igreja Católica Romana: o homem casado pode ser ordenado padre, mas o padre não pode se casar. Assim, se um homem solteiro for ordenado padre, não pode mais se casar. E, se o padre (ordenado após o casamento) ficar viúvo, não pode se casar novamente.

Outra característica dessas igrejas é que só os celibatários podem se tornar bispos.

Em 2014, o papa Francisco permitiu que as Igrejas Católicas de rito oriental tivessem padres casados no Ocidente. Vítor Pimentel Pereira, de 42 anos, casado e pai de três filhos, foi o primeiro padre casado ordenado no Brasil após essa autorização. Ele se tornou sacerdote da Igreja Greco-Católica Melquita em fevereiro de 2021.



Por: Estadão Conteúdo

Estadão

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