O escritor Michel Alcoforado, 39, escreveu um dos livros nacionais mais comentados do ano – Coisa de rico: A vida dos endinheirados brasileiros (Todavia, 2025), que já vendeu mais de 10 mil exemplares em apenas um mês.
O autor é antropólogo e, ao longo dos últimos 15 anos, se dedicou a estudar a vida, os hábitos e as crenças dos multimilionários brasileiros. O que começou como uma tese de doutorado na University of British Columbia, no Canadá, se tornou um livro, lançado no mês de agosto no Brasil.
Estudioso da antropologia do consumo, Alcoforado já atuou como consultor estratégico para grandes marcas internacionais. O antropólogo também atua como palestrante – trabalhando com marcas como McDonald’s, Kwai, Meta, Nike e Coca-Cola -, é comentarista na rádio CBN, colunista do UOL e apresentador do podcast É tudo culpa da cultura.
Em seu LinkedIn, o autor se define como alguém em uma jornada para “conectar mundos que nem sempre dialogam: a academia e o mercado”. Por fim, além de diplomas internacionais, ele também é fundador do Grupo Consumoteca, um hub de empresas de pesquisa de mercado, consultoria de tendências de consumo focadas nos hábitos dos consumidores da América Latina.
“Minha motivação é questionar o ‘status quo’, ajudando marcas, organizações e o público geral a entender os movimentos culturais e seu impacto no consumo, na inovação e no cotidiano, sempre utilizando a antropologia como ferramenta principal”, afirmou o antropólogo em suas redes sociais.
Ao Estadão, o escritor falou sobre os bastidores do livro. “Nenhum rico sabe se é rico no Brasil. Os ricos estão comprando o livro para saber se são ricos, e aqueles que não se consideram ricos estão comprando para parecer mais ricos do que são”, afirmou.
Como não pertence ao mundo dos super ricos, Alcoforado precisou fazer muitos contatos, estudar os gostos dos privilegiados e até criar uma falsa secretária (para parecer um homem extremamente ocupado) a fim de penetrar nas festas e propriedades de alto padrão.
Aos poucos, foi sendo aceito e passou por alguns “testes de reconhecimento”: silêncios hierárquicos, name-dropping [citação de nomes, na tradução] e duelos de cifras. Na conversa com Estadão, Alcoforado revela os detalhes de sua empreitada, examina o problema da desigualdade social no Brasil e reflete sobre o papel dos ricos na sociedade brasileira.
Por:Estadão Conteúdo
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