O Botafogo encerrou, na noite de sábado, uma seca de oito partidas sem vencer – seis derrotas e dois empates – entre Campeonato Brasileiro, Copa Libertadores, Recopa Sul-Americana e Campeonato Carioca. Após o triunfo por 2 a 0 sobre o Juventude, no estádio Nilton Santos, no Rio de Janeiro, o técnico Renato Paiva afirmou que a equipe está crescendo aos poucos.
“A melhoria se traduz em números. Não teve gols contra o Palmeiras, contra a La U e hoje teve dois. Houve melhoria no passe, na finalização e poderíamos ter feito mais gols, poderíamos ter sofrido”, comentou Paiva, que comandou o clube pela terceira vez. “Mas há uma evolução. Não tínhamos feito gols, só em amistosos. Essa correção foi importante, fizemos entender como melhorar as jogadas e colocamos mais gente nas zonas de finalização”, explicou.
Consciente da pressão de assumir o atual campeão nacional e continental, o treinador também rejeitou comparações, inclusive no elenco botafoguense, que sente as saídas de Luiz Henrique e Almada, destaques na vitoriosa campanha de 2024. E fez um longo desabafo.
“Replicar trabalho não é fácil, temos de encontrar outro Almada e Luiz Henrique. Não existem. Temos de fazer a equipe jogar em função de quem chega. O Artur não é Luiz Henrique, o Santi Rodríguez não é o Almada. Nunca vão ser”, afirmou o comandante, que também falou sobre as cobranças e sobre a desconfiança dos torcedores alvinegros.
“O mesmo acontece comigo, realidade é diferente. Como querem comparar trabalho do Bahia, que tinha acabado de subir da Série B e contratado 25 jogadores? Queriam que ganhasse o Baiano, mas não era o elenco que é agora. Só que a culpa é do Paiva. Comparam o trabalho do Bahia com o Botafogo, mas cheguei aqui com o elenco montado, campeão da Libertadores e do Brasileiro. Não viram o Toluca ou o Del Valle, que nunca tinha sido campeão”, desabafou o comandante.
“O trabalho do treinador tem validade menor do que um iogurte, porque é de três em três dias. O Guardiola no Manchester City não pode ser comparado com o Guardiola de quando começou no Barcelona B. Com o Bahia, eu fiz a melhor campanha na Copa do Brasil. No Brasileirão, fui exposto porque é muito difícil. Como vou contrariar a desconfiança? Ganhando e jogando bem? Quando não jogar bem, tem de ganhar. E quando não ganhar tem de tentar jogar bem. E depois trazer taças. É a forma como tento convencer”, continuou.
Paiva disse que compartilha a insatisfação dos torcedores com o mau momento da equipe, mas mostrou confiar na recuperação. “O torcedor já viu coisas melhores, não está satisfeito e me junto a eles. Gosto da exigência da torcida e gosto que desconfiem do meu trabalho. Sei do que sou capaz, do que o estafe é capaz e sei dos jogadores que tenho. Eu sei o porquê de tantas vitórias”, comentou.
Depois de reencontrar o caminho da vitória, o Botafogo se prepara para enfrentar o Carabobo, da Venezuela, na terça-feira, às 19h (horário de Brasília), no estádio Nilton Santos, pelo Grupo A da Copa Libertadores.
Por: Estadão Conteúdo
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