Se mantidas, tarifas anunciadas devem interromper o progresso da desinflação, diz membro do Fed


O vice-presidente do Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano), Philip Jefferson, alertou nesta quarta-feira, 14, que as novas tarifas comerciais anunciadas pelo governo americano elevaram a incerteza econômica e podem comprometer o processo de desinflação. “Se os aumentos nas tarifas anunciados até agora forem mantidos, é provável que interrompam o progresso da desinflação e gerem, pelo menos, um aumento temporário da inflação”, afirmou em discurso a diretores e conselheiros do Fed de Nova York.

Jefferson destacou que o cenário mais volátil exigiu uma revisão de suas projeções. “Reduzi minhas expectativas de crescimento econômico para este ano, mas acredito que a economia dos EUA continuará a se expandir”, acrescentou.

A pressão inflacionária vinda das tarifas é motivo de atenção, mas o comportamento dos preços ainda é incerto. “É incerto se as pressões inflacionárias serão temporárias ou persistentes.” Ainda assim, Jefferson reafirmou o compromisso do Fed com a estabilidade: “Nossa meta de 2% ainda não foi atingida.” Ele acrescentou: “Há muita incerteza, no entanto, em relação à trajetória futura da inflação.”

Os comentários foram feitos um dia após a divulgação do (índice de preços ao consumidor (CPI, na sigla em inglês) dos EUA, abaixo das previsões.

O ambiente também tem afetado a confiança de empresas e consumidores. “Várias pesquisas mostram um declínio no sentimento empresarial relacionado à política comercial”, disse.

Apesar do cenário, Jefferson destacou a resiliência da economia e a força do mercado de trabalho: “Os dados subjacentes ao longo do primeiro trimestre mostraram resiliência”, e “as condições continuam sólidas.”

Jefferson observou que o mercado está mais equilibrado e não pressiona os preços: “A medida é consistente com um mercado de trabalho que parece estar em equilíbrio e não é uma fonte de pressão inflacionária. Estou atento a sinais de que o mercado de trabalho pode esfriar à medida que os aumentos de tarifas começarem a pesar sobre a atividade econômica.”

Sobre os juros, Jefferson defendeu a atual política do Fed: “Nas últimas reuniões, a taxa foi mantida no que considero um nível moderadamente restritivo.”

Para ele, “a atual postura da política está bem posicionada para responder aos desdobramentos que possam surgir”.



Por: Estadão Conteúdo

Estadão

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