O ex-volante Zé Elias, hoje comentarista da ESPN, fez parte de um Corinthians que marcou uma geração ao vencer o Paulistão em cima do Palmeiras e ser campeão da Copa do Brasil, em 1995, pela primeira vez. Passados dez anos, o agora comentarista da ESPN pode ver os dois fatos se repetirem. O título estadual sobre o maior rival veio em março, meses antes de um novo desfecho positivo em Dérbi nas oitavas de final do torneio nacional

Eliminar os palmeirenses abrilhantou a campanha corintiana, que enfrenta nesta quarta-feira o Athletico-PR, no segundo jogo das quartas de final, após vitória por 1 a 0 fora de casa na partida de ida. O caminho até a final e uma possível disputa de título ainda é longo, mas Zé Elias considera o atual time corintiano capaz de repetir o roteiro de 1995.

“Tem o trunfo de ser uma competição que é mata-mata. O Corinthians tem esse espírito de jogo decisivo. Porque todos os jogos da Copa do Brasil agora foram emocionantes. Eu acho que com exceção agora do Athletico lá, mas, mesmo assim, teve dificuldades”, avalia em entrevista ao Estadão.

Se passar do Athletico, o Corinthians enfrenta o vencedor do clássico mineiro, que tem o Cruzeiro na frente após vencer o Atlético-MG por 2 a 0 no Mineirão. Do outro lado, estão Vasco e Botafogo, que empataram por 1 a 1 em São Januário na ida, e Bahia e Fluminense, em duelo com vantagem de 1 a 0 para os baianos, que venceram em casa.

“Você fala assim: ‘Contra Cruzeiro e Atlético no Brasileirão, o Corinthians fica para trás.’ O Corinthians não consegue jogar de igual para igual com esses dois clubes por causa do elenco. Agora, se você colocar Copa do Brasil, mata-mata, você tem outros componentes. Tem torcida, o lado emocional, acaba crescendo”, diz.

Se o clube do Parque São Jorge for campeão da Copa do Brasil, seria possível apontar algumas coincidências interessantes com a temporada de 1995. Naquela época, cinco anos depois de vencer o Brasileirão pela primeira vez, o time alvinegro via o Palmeiras viver dias de glória com o apoio da Parmalat.

Vencer a final estadual de 30 anos atrás foi especial por que impediu o tricampeonato alviverde e desempatou a quantidade de títulos paulista entre os rivais. Sob o comando de Eduardo Amorim, o Corinthians foi campeão do Paulistão e da Copa do Brasil em um intervalo de três meses.

Para os torcedores que viveram aquele ano, ficou a imagem de um time com “a cara do Corinthians”, elogio que Zé Elias consegue atribuir também ao elenco atual, embora em menor proporção.

“Eu acho que a equipe de 1995 era um time muito mais com a cara do Corinthians, e, se eu não me engano, tinha seis ou sete jogadores da base. O futebol se vivia de outras maneiras. Eu acho que nesse aspecto o time de 1995 tem um poder maior de aproximação àquilo que é a torcida do Corinthians, em relação aos resultados e a forma de jogar”, comenta.

“Acho que esse time tem alguns jogadores que têm um pouco essa característica. É que nem, por exemplo, o Martínez, que é um cara mais de pegada assim, que é o cara que lembra um pouquinho mais quase todo mundo que tinha que jogava lá em 95. Todos tinham esse tipo de situação. Mas, eu acho que é o que mais próximo. O Raniele também, pela forma brigadora.”

A formação corintiana que venceu a final contra o Grêmio em 1995 tinha nomes como Ronaldo Giovanelli, Célio Silva, Bernardo, Marcelinho Carioca, Tupãzinho e Viola. Zé Elias, que foi titular na vitória por 1 a 0 em Porto Alegre e não jogou no 2 a 1 no Pacaembu, entende que, ao lado desses jogadores, fez o Corinthians dar um novo peso à Copa do Brasil.

“Acho que o título de 95 marcou uma geração e marcou os clubes também. Porque o São Paulo mudou a forma de pensar do futebol brasileiro quando ganha as Libertadores. Os clubes começam a entender a grandeza de uma Libertadores. E o Corinthians ganha a Copa do Brasil em 1995 e mostra para as pessoas um caminho que até então era muito mais rápido. Aí, todo mundo começa a mudar a forma de pensar, e dá uma importância maior na a Copa do Brasil.”



Por: Estadão Conteúdo

Estadão

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