Há três décadas, a rotina de dezenas de famílias sofreu uma reviravolta irreversível. O voo que levava passageiros rumo ao Rio de Janeiro terminou em tragédia logo nos primeiros instantes após deixar o solo paulistano. O impacto destruiu construções e causou a morte de centenas de pessoas que viajavam na aeronave e que estavam em solo, marcando profundamente a história da aviação nacional.
Entre os afetados está Sandra Assali, que havia levado o marido, o médico cardiologista José Rahal Abu Assali, até o aeroporto. Em pouco tempo, a confirmação da perda transformou a dinâmica familiar e impulsionou uma luta incansável por justiça e amparo às vítimas. Apenas 24 segundos depois da decolagem, de acordo com o relatório final elaborado pelo Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa), a aeronave em que ele estava bateu em três prédios e caiu em cima de diversas casas na Rua Luís Orsini de Castro, a cerca de 2 quilômetros do aeroporto. Com a queda, o avião pegou fogo, matando todas as 96 pessoas a bordo. Três pessoas que estavam no solo também morreram.
Diante da ausência de suporte adequado por parte da empresa naquela época, os sobreviventes indiretos decidiram unir forças. A criação da Associação Brasileira de Parentes e Amigos de Vítimas de Acidentes Aéreos marcou uma virada histórica na forma como a sociedade e as companhias lidam com tragédias aéreas. A partir desse movimento, o ordenamento e as práticas corporativas precisaram ser adaptados para dar suporte humanitário imediato.
Até 1996, quando ocorreu o acidente, as companhias aéreas ainda não eram obrigadas a fornecer assistência para as famílias de vítimas de acidentes. Mas, com muita luta, a associação conseguiu garantir que as empresas fossem obrigadas a garantir amparo e a assistência aos familiares em caso de acidentes aéreos. Essa conquista pavimentou o caminho para protocolos mais humanizados em desastres posteriores em todo o país.
As investigações conduzidas na época apontaram que o desastre foi provocado por uma falha mecânica incomum. Um dos reversores da turbina foi acionado de maneira inadequada durante a fase de subida, gerando uma desestabilização severa na pilotagem e impedindo a recuperação do vetor de voo. A raridade do evento técnico pegou a tripulação de surpresa, já que os manuais e treinamentos vigentes não contemplavam tal falha.
O impacto na Rua Luís Orsini de Castro gerou forte comoção pública e exigiu revisões profundas nos protocolos de fabricação e operação das aeronaves utilizadas pelas empresas comerciais. A Latam Airlines Brasil informou em nota que se solidariza com todas as pessoas impactadas e destacou que as conclusões técnicas foram detalhadas pelo órgão competente ainda na década de 1990.
Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br
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