Volta de Lupi ao comando do PDT terá discussão sobre INSS e apoio ao governo Lula


O PDT se reunirá nesta terça-feira, 20, num encontro que marca o retorno do ex-ministro da Previdência Social Carlos Lupi ao comando nacional da sigla. O partido deve definir sua postura diante do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e debater sobre a crise do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). A reunião será na sede do PDT em Brasília, próxima ao Congresso, às 14h.

O encontro terá parlamentares, membros da executiva nacional e presidentes de diretórios estaduais. Os rumos da sigla nas eleições de 2026 também serão discutidos pelos pedetistas.

Lupi deixou o governo Lula no dia 2, após o escândalo dos descontos indevidos em contas do INSS. A demissão dele resultou na saída do PDT da base da administração federal na Câmara. No Senado, porém, os parlamentares indicaram que seguem alinhados com o Planalto. A partir do encontro, pode ser definido se o partido deve lançar, ou não, um candidato à Presidência em 2026.

A cúpula do PDT também vai discutir o cenário do escândalo do INSS. No fim de abril, a Polícia Federal (PF) e a Controladoria-Geral da União (CGU) deflagraram a Operação Sem Desconto, que revelou um esquema bilionário em abatimentos indevidos a aposentados e pensionistas. Lupi ficou na mira de críticas por omissão diante das irregularidades. Foi ele quem indicou Alessandro Stefanutto, exonerado no dia da operação da PF, para a presidência do INSS.

As duas instituições estimaram em R$ 6,3 bilhões o total de cobranças irregulares entre 2019 e 2024. Desde 2016, o montante pode chegar a quase R$ 8 bilhões em descontos feitos sem autorização.

Lupi deixou o Planalto mesmo com a indicação da debandada do PDT na base governista da Câmara. Segundo membros do partido ouvidos pelo Estadão/Broadcast, uma ala defende que a legenda mantenha a independência de Lula, mas sem se unir à oposição.

Segundo aliados, Lupi estaria magoado com o tratamento que recebeu enquanto ministro da Previdência e também deve ser favorável a uma posição independente. Um dos integrantes da cúpula da legenda disse que, desde o início do mandato, faltou um “carinho” de Lula com o PDT que, historicamente, sempre esteve ao lado das gestões petistas.

Outro integrante da sigla avalia que o Executivo federal trata o PDT como aliado automático, por causa da proximidade ideológica, e por isso valoriza mais outros partidos do Centrão.

PDT pode lançar candidato à Presidência em 2026

Pedetistas não descartam o lançamento de uma candidatura à Presidência da República em 2026, e o nome de Ciro Gomes continua o mais forte. Porém, o ex-governador do Ceará ainda não indicou o que fará na próxima eleição.

Membros da legenda avaliam que a principal preocupação neste momento é eleger um número de parlamentares suficiente para atender à cláusula de barreira, para que a sigla não desapareça.

Segundo avaliações de pedetistas, se a eleição for dividida como a disputa entre Lula e Jair Bolsonaro (PL) em 2022, há menos chances de o PDT lançar um presidenciável próprio, para direcionar o fundo eleitoral às candidaturas legislativas.

Já uma candidatura fora dessa polarização, como a do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), proporcionaria uma eleição “mais racional” e aumentaria as chances de o PDT ter um nome independente. Na semana passada, Tarcísio voltou a negar a candidatura à Presidência.

Outra possibilidade é a de Ciro concorrer ao governo do Ceará, para recuperar o espaço perdido com a ascensão do PT no Estado, com o ministro da Educação, Camilo Santana, o governador Elmano de Freitas, o prefeito de Fortaleza, Evandro Leitão, e o líder do governo na Câmara, José Guimarães. No entanto, há avaliações de que Ciro sairia ainda mais diminuído politicamente se perdesse para Elmano.

Para eleger uma bancada forte, o PDT também tem conversado internamente sobre uma eventual federação ou fusão com outro partido. De acordo com relatos, já houve conversas com o PV, o PSB, o Solidariedade e o Cidadania. A legenda estuda quais os impactos de cada alternativa nos Estados.



Por: Estadão Conteúdo

Estadão

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