Analfabetismo entre jovens com deficiência é 12 vezes superior ao de outros grupos

4 Min de leitura

O cenário educacional brasileiro revela um abismo persistente na inclusão de pessoas com deficiência. Dados do Censo Demográfico de 2022, divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), apontam que a taxa de analfabetismo entre jovens de 15 a 29 anos com deficiência alcançou 12,2%. O índice é 12 vezes maior do que o registrado entre pessoas sem deficiência na mesma faixa etária, que é de apenas 1%.

A disparidade, embora historicamente associada a uma maior concentração de pessoas com deficiência entre a população idosa — grupo que teve menos acesso à escolarização no passado —, revela que a desigualdade transcende o fator geracional. A análise técnica reforça que, mesmo entre os jovens, o sistema educacional falha em garantir equidade, mantendo barreiras que impedem o pleno desenvolvimento acadêmico e social desse segmento da população.

Desigualdades no aprendizado e tipos de deficiência

O impacto do analfabetismo varia conforme o tipo de limitação enfrentada pelo estudante. Os dados indicam que as taxas mais elevadas ocorrem entre indivíduos com dificuldades associadas a funções mentais, atingindo 40,4%, e entre aqueles que possuem mais de um tipo de deficiência, com 34%.

Mesmo nas categorias com menores índices, a situação permanece preocupante. Entre pessoas com dificuldade de enxergar, a taxa de analfabetismo é de 3,5%, valor que ainda supera em três vezes o observado na população sem deficiência. Outros grupos apresentam números expressivos, como 10% para dificuldades auditivas, 23,3% para limitações de locomoção e 31,3% para dificuldades no manuseio de objetos pequenos.

Barreiras na frequência escolar e infraestrutura

A exclusão escolar reflete-se diretamente nas taxas de frequência. Enquanto crianças de 6 a 14 anos sem deficiência possuem 98,4% de presença no ensino regular, o índice cai para 92,6% entre aquelas com deficiência. Para jovens de 15 a 17 anos, a diferença é ainda mais acentuada: 85,4% contra 79,5%.

O cenário é mais crítico entre estudantes com deficiências profundas, que enfrentam maiores obstáculos para acessar o sistema. Nesse grupo, a frequência escolar cai para 82,3% na faixa de 6 a 14 anos e para 65,6% entre os jovens de 15 a 17 anos. A infraestrutura das instituições também apresenta lacunas, com apenas 78,5% das escolas possuindo algum recurso de acessibilidade, como banheiros adaptados, salas de recursos multifuncionais ou profissionais de apoio.

Crescimento no ensino superior e o papel da modalidade a distância

Apesar dos desafios estruturais, o número de pessoas com deficiência no ensino superior apresentou um crescimento expressivo na última década. Entre 2014 e 2024, o total de matrículas saltou de 33.377 para 95.572 alunos. A representatividade desse público na graduação subiu de 0,43% para 0,93% do total de estudantes no país.

Esse avanço foi impulsionado majoritariamente pela modalidade de ensino a distância (EAD). Enquanto as matrículas presenciais quase dobraram, o número de estudantes com deficiência em cursos remotos cresceu mais de seis vezes, passando de 6.740 para 44.963, evidenciando que a flexibilidade do formato digital tem sido um vetor fundamental para a inclusão acadêmica.

Leia Também

Compartilhar