O setor público consolidado brasileiro, que engloba a União, estados, municípios e empresas estatais, registrou um déficit primário de R$ 10 bilhões no mês de agosto. O dado, divulgado pelo Banco Central, aponta para uma trajetória de ajuste fiscal em comparação ao mesmo período de 2025, quando o saldo negativo alcançou R$ 17,3 bilhões. O resultado primário reflete a diferença entre receitas e despesas, excluindo os gastos com o pagamento de juros da dívida.
Composição do déficit e desempenho regional
A análise detalhada dos números revela dinâmicas distintas entre as esferas de governo. O Governo Central, composto pelo Tesouro Nacional, Previdência Social e o próprio Banco Central, foi o principal responsável pelo resultado negativo, apresentando um déficit de R$ 14,7 bilhões.
Em contrapartida, os governos regionais e as empresas estatais contribuíram positivamente para o equilíbrio das contas. Os estados e municípios registraram um superávit de R$ 2,7 bilhões, enquanto as estatais mantiveram um resultado positivo de R$ 2 bilhões, atenuando o impacto do rombo central no consolidado do mês.
Impacto dos juros nominais nas contas
A pressão sobre o orçamento público é agravada pelo custo do serviço da dívida. Em agosto, os gastos com juros nominais somaram R$ 105,9 bilhões, um salto expressivo frente aos R$ 74,3 bilhões observados no mesmo mês do ano anterior. Esse aumento foi impulsionado, em grande parte, pela variação negativa nas operações de swap cambial, que passaram de um ganho de R$ 19,9 bilhões para uma perda de R$ 9,3 bilhões.
Ao considerar o pagamento desses juros, o déficit nominal do setor público atingiu R$ 115,9 bilhões. No acumulado dos últimos 12 meses, o déficit nominal consolidado alcançou a marca de R$ 1,264 trilhão, o que representa 9,48% do Produto Interno Bruto (PIB), indicando um desafio persistente para a sustentabilidade das finanças públicas.
Evolução da dívida pública brasileira
O endividamento do país segue em trajetória de alta, refletindo tanto o déficit primário quanto a incorporação dos juros nominais e efeitos cambiais. A Dívida Líquida do Setor Público (DLSP) fechou agosto em R$ 9,2 trilhões, equivalente a 69,3% do PIB, com uma elevação de 0,1 ponto percentual no mês.
A Dívida Bruta do Governo Geral (DBGG) apresentou um cenário similar, atingindo R$ 11,1 trilhões, ou 82,9% do PIB. Este indicador registrou um avanço de 0,3 ponto percentual em relação a julho e acumula uma alta de 4,2 pontos percentuais do PIB ao longo do ano, evidenciando a complexidade do cenário macroeconômico atual.
Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br



