Baldinhos verdes surgem em árvores e ruas de Anápolis para combater arboviroses

3 Min de leitura

Quem circula pelas ruas de Anápolis pode ter percebido pequenos recipientes coloridos presos a árvores, calçadas e próximos a estabelecimentos comerciais. Esses objetos despertaram a curiosidade da população local, mas possuem uma função essencial para a saúde pública e jamais devem ser retirados ou danificados por moradores.

A iniciativa faz parte de uma estratégia integrada de combate à dengue, zika e chikungunya, desenvolvida pela administração municipal em parceria com o Ministério da Saúde e a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz). A tecnologia busca frear a circulação dos vírus de maneira inovadora e sustentável nas diferentes regiões urbanas.

Entenda como funcionam os dispositivos de liberação de ovos

Os recipientes são conhecidos formalmente como Dispositivos de Liberação de Ovos (DLOs) e integram o Método Wolbachia. Cada unidade contém água, alimento para o desenvolvimento das larvas e ovos do mosquito Aedes aegypti que carregam a bactéria natural chamada Wolbachia.

Em aproximadamente 15 dias, os insetos completam o ciclo de desenvolvimento dentro dos baldinhos e ganham o ambiente externo. Ao se reproduzirem com os mosquitos já presentes na cidade, eles transmitem a bactéria para as próximas gerações, o que dificulta de forma significativa a multiplicação dos vírus causadores das doenças no organismo do vetor.

Bairros registram perdas e vandalismo nos equipamentos

Em apenas duas semanas de operação, cerca de 4 mil dispositivos foram distribuídos por 42 bairros do município. No entanto, o projeto enfrentou desafios logísticos e de conscientização após vistorias apontarem o sumiço ou a destruição de 212 recipientes por vandalismo ou descarte incorreto em lixeiras e calçadas.

As maiores ocorrências foram registradas na região Central, além de bairros como Copacabana, Boa Vista, Vila Norte e Vila Góis. Por esse motivo, as autoridades reforçam que apenas as equipes autorizadas do Ministério da Saúde possuem permissão para realizar o manejo, a manutenção ou a substituição dos recipientes instalados nas árvores.

Resultados promissores em outras cidades brasileiras

A técnica do Método Wolbachia não envolve qualquer tipo de modificação genética e já acumula histórico de sucesso comprovado em outras regiões do país. Dados oficiais indicam que municípios como Niterói (RJ) alcançaram reduções expressivas nos índices de infecção, servindo de parâmetro para o avanço da iniciativa em solo goiano.

Apesar da nova ferramenta biológica, os especialistas lembram que o apoio da comunidade continua sendo indispensável. Medidas tradicionais como evitar o acúmulo de água parada em quintais e manter reservatórios devidamente vedados permanecem fundamentais para o controle definitivo do vetor.

Compartilhar