Mudança territorial altera liderança nacional na produção agrícola brasileira

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O município de Sorriso, historicamente reconhecido como a capital do agronegócio no Brasil, deixou o topo do ranking nacional de valor da produção agrícola. A alteração no cenário econômico foi confirmada pela pesquisa Produção Agrícola Municipal, divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A liderança agora pertence a Sapezal, em Mato Grosso, seguido por São Desidério, na Bahia.

A perda da primeira posição por Sorriso não decorre apenas de variações de mercado ou produtividade, mas de uma reconfiguração geográfica significativa. A emancipação e criação do município de Boa Esperança do Norte, que absorveu áreas anteriormente pertencentes a Sorriso e Nova Ubiratã, reduziu a base territorial produtiva do antigo líder. Como resultado direto dessa divisão administrativa, Sorriso registrou uma queda de 9,3% em sua área plantada, afetando culturas estratégicas como soja, algodão e feijão.

Impacto da reconfiguração administrativa na produção

A criação de Boa Esperança do Norte foi um processo jurídico longo, iniciado por lei estadual no ano 2000. Após duas décadas de disputas judiciais que envolveram o Tribunal de Justiça de Mato Grosso, o Superior Tribunal de Justiça e o Supremo Tribunal Federal, a instalação oficial ocorreu em 1 de janeiro de 2025. Com uma população estimada em 5,9 mil habitantes, o novo município passou a contabilizar parte da produção que antes elevava os índices de Sorriso.

Embora Sorriso tenha mantido um valor de produção expressivo de R$ 8,16 bilhões em 2025, o montante foi superado pelos R$ 8,59 bilhões de Sapezal e pelos R$ 8,22 bilhões de São Desidério. O valor da produção, conforme metodologia do IBGE, considera o volume físico colhido multiplicado pelos preços praticados no mercado, sem ajustes inflacionários.

Ascensão de Sapezal e o protagonismo do algodão

O novo líder nacional, Sapezal, apresentou um crescimento de 46,6% no valor de sua produção agrícola. O desempenho foi impulsionado majoritariamente pelo algodão herbáceo, que sozinho respondeu por R$ 5,13 bilhões, ou 60% do total gerado pelo município. A cidade, situada a cerca de 500 quilômetros de Cuiabá, também obteve avanços expressivos nas culturas de soja e milho, com altas de 51,4% e 58,1%, respectivamente.

O cenário nacional reflete um setor em expansão, com o valor total da produção agrícola brasileira atingindo R$ 927,2 bilhões em 2025, um incremento de 18,4% em relação ao ano anterior. Mato Grosso consolida-se como o estado mais forte nesse segmento, totalizando R$ 165,6 bilhões em valor de produção, concentrando cinco das dez cidades mais produtivas do país.

Concentração econômica no agronegócio brasileiro

A análise dos dados revela que a força do agronegócio permanece concentrada em polos específicos. Além de Sapezal, Sorriso e Campo Novo do Parecis, o estado de Mato Grosso mantém Diamantino e Nova Mutum entre os dez maiores produtores. O estado de Goiás também se destaca no ranking com os municípios de Rio Verde, Cristalina e Jataí, enquanto a Bahia contribui com São Desidério e Formosa do Rio Preto.

A dinâmica observada entre 2024 e 2025 demonstra como fatores institucionais e territoriais podem influenciar diretamente os indicadores econômicos municipais. Enquanto Sorriso ajusta sua estrutura produtiva após a perda de território, Sapezal aproveita a alta demanda e os preços de mercado para consolidar sua posição de destaque no cenário agropecuário nacional.

Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br

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