O mercado financeiro brasileiro iniciou o período pós-feriado com movimentos de correção, marcados pela valorização da moeda norte-americana e pela retração da bolsa de valores. O dólar comercial encerrou o dia cotado a R$ 5,023, uma alta de 0,74%, voltando a superar a marca de R$ 5, mesmo em um dia de desvalorização da divisa no cenário internacional. Paralelamente, o Ibovespa recuou 1,04%, fechando aos 206.887,52 pontos, em um movimento de ajuste após atingir máximas históricas na semana anterior.
Pressão cambial e cenário eleitoral doméstico
A alta do dólar no Brasil destoou do comportamento global da moeda. Enquanto o índice do dólar, que compara a divisa a uma cesta de seis moedas, recuava 0,34% aos 102,190 pontos, o mercado interno reagiu a incertezas políticas. Investidores monitoraram de perto as pesquisas eleitorais relacionadas à disputa presidencial, fator que adicionou volatilidade às negociações ao longo do dia.
Houve também um componente operacional importante no mercado cambial. O Banco Central cancelou um leilão de rolagem de swap cambial, que previa a oferta de 50 mil contratos com vencimento em 3 de novembro. A autoridade monetária justificou a decisão como resultado de uma falha técnica ocorrida no final da manhã, o que impediu a continuidade da operação de venda de dólares no mercado futuro.
Ajustes técnicos e realização de lucros na bolsa
O recuo do Ibovespa reflete um movimento clássico de realização de lucros. Após superar a barreira dos 209 mil pontos na semana passada, o índice passou por um processo de ajuste, com investidores vendendo ativos para garantir ganhos recentes. O volume financeiro negociado na sessão atingiu R$ 45,63 bilhões, evidenciando a intensidade das trocas de posições.
O ambiente externo também contribuiu para a cautela dos investidores locais. Em Nova York, os índices acionários operaram sob pressão, impactados negativamente pelo desempenho de empresas do setor de semicondutores e pela repercussão dos balanços trimestrais de grandes bancos norte-americanos. O índice S&P 500, que reúne as 500 maiores empresas dos Estados Unidos, encerrou o dia com uma leve queda de 0,02%.
Oscilação do petróleo no mercado internacional
O mercado de commodities apresentou um comportamento misto, com o petróleo reagindo a tensões geopolíticas e expectativas de oferta. O barril do tipo Brent, referência internacional, encerrou em queda de 0,9%, cotado a US$ 105,69. Em contrapartida, o petróleo WTI, negociado nos Estados Unidos, registrou alta de 0,43%, fechando a US$ 94,14 por barril.
A volatilidade foi alimentada pela avaliação de riscos no Oriente Médio, envolvendo a Arábia Saudita e rebeldes houthis, além dos desdobramentos do conflito entre Rússia e Ucrânia. Em seu relatório mensal, a Opep manteve a previsão de aumento da oferta de países fora do grupo em 600 mil barris por dia para 2026, enquanto elevou a projeção de crescimento da demanda global para 2027 em 200 mil barris diários.
Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br


