Polícia civil e prefeitura investigam esquema de venda de dados de falecidos

3 Min de leitura

A Corregedoria-Geral da Polícia Civil, a prefeitura de São Paulo e a Controladoria-Geral do município investigam uma suposta organização criminosa que obtinha irregularmente os registros de óbitos na capital paulista e repassava para empresas do setor funerário. A articulação ilegal expõe vulnerabilidades no fluxo de informações sigilosas e mobiliza órgãos de fiscalização em várias frentes de apuração.

As autoridades buscam desarticular a rede de contatos que facilitava o vazamento de dados confidenciais diretamente de órgãos públicos para o comércio de serviços fúnebres. A cooperação entre diferentes esferas administrativas reforça a gravidade das denúncias e a necessidade de respostas enérgicas contra desvios de conduta na gestão de informações sensíveis.

Avanço da Operação Luctus

A segunda fase da Operação Luctus foi deflagrada nesta quinta-feira (29) para apurar mais informações sobre o esquema. O grupo é investigado por crimes contra a administração pública, corrupção, acesso indevido a informações sigilosas, lavagem de capitais e outros delitos correlatos. A continuidade das diligências visa mapear a extensão total da rede criminosa e o alcance dos prejuízos institucionais causados.

A investigação teve origem a pedido da prefeitura, conforme informou a Secretaria de Segurança Pública do Estado de São Paulo. A operação cumpriu mandados de busca e apreensão em 21 alvos, entre eles um policial civil, um funcionário da prefeitura e empresários do setor. Integrantes da Corregedoria do Município acompanharam todas as diligências em campo.

Medidas de controle e governança

Segundo a SSP-SP, a segunda fase da operação pretende, além da responsabilização penal dos envolvidos, identificar vulnerabilidades no sistema. O objetivo principal consiste em aperfeiçoar os mecanismos de controle interno, governança e integridade para evitar novas brechas na segurança de dados públicos.

As autoridades reforçam que a proteção aos registros de cidadãos falecidos é prioridade para garantir a transparência administrativa. A auditoria nos procedimentos internos busca pacificar o setor e afastar operadores que utilizam práticas predatórias na captação de clientes enlutados.

Posicionamento da concessionária Velar SP

Uma das empresas envolvidas é a concessionária Velar SP, um dos quatro grupos que administram os 22 cemitérios da capital paulista. A Velar é responsável por seis deles, incluindo locais tradicionais como Vila Alpina, Itaquera e Freguesia do Ó.

Em nota oficial, a Velar afirmou que tomou conhecimento da operação pela imprensa e até o momento não teve acesso aos autos nem à decisão judicial. A empresa destacou que está à disposição das autoridades para colaborar com o pleno esclarecimento dos fatos investigados.

A concessionária reafirmou seu compromisso com a lisura de sua atuação e com o respeito às famílias atendidas. O grupo repudiou quaisquer práticas ilícitas e reiterou que já havia se colocado à disposição para colaborar com a apuração de eventuais irregularidades cometidas por quaisquer agentes.

Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br

Compartilhar