A Polícia Civil de Goiás decidiu não lavrar o flagrante contra uma mulher de 45 anos que desferiu um golpe fatal de faca no peito do marido na manhã desta sexta-feira (16). O episódio ocorreu no Residencial Morada Nova, no município de Anápolis, durante um violento conflito doméstico.
De acordo com a apuração policial, existem fortes elementos indicando que Maria Aldaci da Silva agiu para resguardar a própria integridade física. O companheiro, Joelson Ancelma Pinto, de 27 anos, acabou morrendo no interior do imóvel antes da chegada do socorro.
Sinais de legítima defesa e lesões físicas graves
Ao prestar depoimento na Central de Flagrantes, Maria apresentava lesões corporais visíveis e severas. Conforme declarou o delegado Rafhael Neris Barboza em entrevista à Rádio São Francisco, o quadro de saúde da mulher demandava atenção imediata e indicava reação a agressões sofridas instantes antes.
A autoridade policial detalhou que a mulher estava com o ombro deslocado e diversos hematomas, o que reforçou a tese de reação proporcional ao perigo iminente. Diante do quadro clínico, ela foi ouvida formalmente e logo encaminhada para atendimento médico hospitalar, sem aplicação de prisão em flagrante.
Em declaração sobre a conduta adotada, o delegado destacou a necessidade de acolhimento legal diante da dinâmica violenta presenciada:
“Não posso tratar ela como uma criminosa, porque na verdade hoje ela também foi vítima e o que ela fez foi para se livrar”, declarou o responsável pelas apurações iniciais.
Conflitos sobre término motivaram a briga no casal
Depoimentos colhidos no âmbito da apuração revelam que a residência vinha sendo palco de episódios recorrentes de atrito, intensificados quando Joelson consumia bebidas alcoólicas. O estopim para a briga fatal teria sido o comunicado formal de separação feito por Maria, decisão com a qual o parceiro não concordava.
Durante a discussão, a vítima teria agredido a mulher com golpes no rosto e chocado a cabeça dela contra uma parede. Na sequência, após sofrer ameaças com o uso de uma faca, ela tentou buscar refúgio em um cômodo da casa, mas teve a porta arrombada pelo companheiro.
Foi nesse contexto de confronto físico que Maria conseguiu ter acesso à faca e atingiu o peito do agressor. Embora tenha confessado o golpe perante as autoridades, a investigada sustentou categoricamente que realizou o ato para evitar a própria morte.
Próximas etapas do inquérito da Polícia Civil
Mesmo com a dispensa da custódia cautelar imediata, a investigação prossegue sob responsabilidade dos órgãos investigativos do estado. A determinação dos rumos processuais depende agora do confronto entre o relato da investigada e a prova técnica produzida no local.
Os procedimentos em andamento incluem:
- Emissão e juntada dos laudos do exame cadavérico da vítima;
- Perícia de corpo de delito para atestar a extensão das agressões em Maria;
- Exames periciais papiloscópicos e balísticos no imóvel;
- Oitiva de vizinhos e testemunhas que possam detalhar o histórico do casal.
O caso segue sob análise formal da Polícia Civil de Goiás, que reunirá todos os elementos para verificar se houve a incidência completa de excludente de ilicitude antes de enviar a conclusão ao Ministério Público.




