Perseguição a médica em Anápolis revela escalada de ameaças e perfis falsos

3 Min de leitura

A rotina de uma profissional da saúde em Anápolis transformou-se em um cenário de tensão ao longo de três meses. O que começou após um atendimento médico evoluiu para uma campanha sistemática de perseguição virtual e física, culminando na detenção de um jovem de 24 anos nesta terça-feira (3).

A escalada do assédio nas redes sociais

O contato inicial ocorreu em 22 de julho, quando o suspeito foi atendido por uma médica que desconhecia. A partir desse momento, ele passou a enviar mensagens em plataformas digitais. Diante de cada bloqueio aplicado pela vítima, o indivíduo criava novas contas para continuar as tentativas de contato.

O padrão adotado revelou insistência metódica. Em uma das contas falsas, utilizou nome feminino mas assinou as mensagens com a própria identidade. O assédio migrou para diferentes redes sociais e incluiu o uso de fotografias da própria médica retiradas de perfis de terceiros para conferir falsa autenticidade aos perfis criados.

Monitoramento de escala e aparições em hospitais

Com o cerco virtual fechado por restrições de privacidade, a perseguição ultrapassou a barreira digital. O jovem passou a frequentar os dois hospitais onde a profissional atua, comparecendo precisamente nos dias e horários correspondentes aos plantões dela.

Além de rondar os locais de trabalho, o investigado adotava a tática de agendar consultas com outras profissionais de saúde apenas para mencionar o nome da vítima durante os atendimentos. A situação gerou forte impacto na segurança pessoal, obrigando o companheiro da médica a buscá-la no trabalho durante a madrugada.

Ação policial e enquadramento legal

A situação chegou ao limite durante um plantão na UPA da Mulher, localizada na Vila Jussara. O suspeito compareceu novamente ao local e a profissional acionou a Polícia Militar para realizar a intervenção.

Durante a abordagem policial, o jovem apresentou comportamento agressivo. Os agentes realizaram a contenção com algemas e o conduziram até a delegacia. Conforme apurado no portal6.com.br, o caso foi registrado com base no artigo 147-A do Código Penal, que tipifica o crime de perseguição contra mulher por razões de gênero, prevendo reclusão e multa majorada.

Compartilhar